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Cientistas abrem o estômago do tubarão mais temido do mundo e descobrem que sua dieta extrema ajuda a salvar os oceanos

A alimentação mais bizarra entre os tubarões esconde uma função essencial para os oceanos

Tubarao Tigre
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um dos tubarões mais perigosos do mundo também pode ser um dos mais importantes para o equilíbrio dos mares. Conhecido por engolir praticamente qualquer coisa, como tartarugas, aves,  pneus, placas de carro e até televisão, o tubarão-tigre vem chamando a atenção de pesquisadores por um motivo inesperado. Estudos conduzidos por cientistas como Neil Hammerschlag, da Marine Biodiversity Observation Network, mostram que seu apetite aparentemente caótico exerce um papel essencial na limpeza dos oceanos e no controle de diversas populações marinhas. Ou seja, o animal que é altamente destrutivo, na verdade, estava ajudando a manter ecossistemas inteiros funcionando.

A dieta mais extrema entre os tubarões acabou se tornando um serviço de limpeza dos oceanos

Considerado um dos três tubarões mais perigosos para os seres humanos, ao lado do tubarão-branco e do tubarão-touro, o tubarão-tigre possui uma das dietas mais variadas já registradas entre todos os tubarões. Pesquisadores já encontraram dentro de seus estômagos: 

  • Moluscos
  • Arraias
  • Serpentes marinhas 
  • Focas 
  • Cabras
  • Cães
  • Gatos
  • Antílopes 
  • Pneus
  • Embalagens
  • Preservativos
  • Cigarros
  • Placas de carro 
  • Televisão

Essa capacidade de consumir praticamente qualquer alimento tem um efeito importante para os ecossistemas marinhos. Grande parte da dieta do tubarão-tigre inclui animais mortos ou debilitados. Ao remover essas carcaças do ambiente, o predador reduz a disponibilidade de matéria orgânica em decomposição e ajuda a diminuir o risco de propagação de doenças entre outras espécies.

Os benefícios não param por aí. Em locais onde há muita concentração de tartarugas-verdes, por exemplo, os pesquisadores observaram que os tubarões frequentemente preferem consumir indivíduos mortos ou enfraquecidos. Além de eliminar animais vulneráveis, esse comportamento ajuda a controlar a população de tartarugas e evita o consumo excessivo das pradarias de ervas marinhas, habitat fundamental para inúmeras espécies do oceano.

Nem um furacão faz os tubarões-tigre recuarem quando há comida disponível

tubarã tigre O apetite sem limites do tubarão-tigre ajuda a evitar doenças e preservar ecossistemas

A força e resistência desses animais surpreendeu os cientistas não só pela “dieta diferenciada”, mas pela capacidade de conseguir enfrentar eventos meteorológicos extremos, como furacões. Em 2016, quando o furacão Matthew atingiu as Bahamas, Neil Hammerschlag e sua equipe acompanhavam diversos tubarões-tigre por meio de transmissores acústicos instalados para outro estudo.

A expectativa era de que os animais abandonassem a região costeira, como fazem muitas outras espécies de tubarão quando detectam a queda da pressão atmosférica antes de grandes tempestades. Mas para a surpresa de todos, o resultado foi exatamente o contrário. Os tubarões permaneceram nas águas rasas durante a passagem do furacão e, logo depois, a quantidade de indivíduos na região praticamente dobrou.

Segundo os pesquisadores, a explicação é simples: o furacão deixou para trás uma enorme quantidade de peixes, tartarugas, aves, crustáceos e outros animais mortos ou gravemente feridos. Para os tubarões-tigre, aquilo representava um banquete de graça. Esse comportamento instintivo e inteligente do animal também ajuda a explicar por que a espécie é considerada um dos principais predadores de topo dos oceanos. Além de remover animais mortos da cadeia alimentar, ela influencia a distribuição e o comportamento de diversas outras espécies, contribuindo para manter o equilíbrio ecológico dos ambientes marinhos.

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