Moradores de um subúrbio no Texas enfrentam um apocalipse de drones da Amazon no céu e relatam barulho constante com caixas no quintal

Enquanto a Amazon promete encurtar o caminho entre o estoque e a porta de casa, moradores questionam o preço dessa conveniência

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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Depois de conquistarem espaço em operações militares, filmagens e testes, os drones estão assumindo uma função bem mais comum no cotidiano das cidades: entregar produtos. Em Richardson, no Texas, Estados Unidos, a expansão das entregas da Amazon transformou os céus de alguns bairros quase em rotas aéreas, com moradores relatando um zumbido constante sobre suas casas. O serviço permite que pequenas encomendas sejam transportadas por drones diretamente até os quintais dos clientes, mas a novidade também trouxe reclamações sobre barulho, privacidade e segurança. A situação ganhou força depois que a cidade autorizou a operação do programa Prime Air na região.

Os drones da Amazon passaram a cruzar os bairros dezenas de vezes por dia

A cena que tem deixado alguns moradores de Richardson assustados e incomodados começa de uma maneira quase banal: um pedido é feito pela Amazon e, pouco depois, um drone de aproximadamente 37 quilos decola de um centro de distribuição próximo para levar a encomenda ao destino. O equipamento pode transportar uma caixa de até cerca de 2,3 quilos e realizar entregas em um raio de aproximadamente 12 quilômetros.

O que muda a experiência de quem vive na região é a frequência. Perto do centro de distribuição, moradores passaram a relatar a presença de vários drones, em alguns momentos, mais de 100 deles, sobrevoando a área ao longo do dia. Um dos bairros chegou a ganhar o apelido de “rodovia de drones”. O problema é que essa “facilidade” não tem agradado a todos.

Mas o que será que diz a lei? As regras atuais permitem que as entregas sejam realizadas entre 7h e 20h, enquanto a Amazon afirma que seus equipamentos voam, em média, a 68 metros de altura. A FAA, agência responsável pela regulamentação do espaço aéreo nos Estados Unidos, estabelece atualmente um limite de 122 metros para esse tipo de voo.

Quando chega ao destino, o drone desce para poucos metros do chão e permanece pairando enquanto deixa encomenda na propriedade do cliente. A tecnologia foi desenvolvida para tornar a entrega mais rápida, com determinados produtos que podem chegar ao consumidor em apenas 30 minutos. Contudo, essa combinação entre velocidade e frequência divide a opinião dos moradores. Enquanto alguns consumidores comemoram a chegada dos pacotes diretamente em suas casas, outros reclamam do ruído dos drones que passou a fazer parte da rotina.

Entrega em minutos provoca barulho, compromete a privacidade e preocupa pela segurança

drone com encomenda Amazon aposta em drones para entregar pedidos em 30 minutos, enquanto moradores reclamam de voos constantes

O barulho não é a única preocupação dos moradores de Richardson. O fato de os equipamentos passarem sobrevoando os quintais residenciais também alimenta questionamentos sobre privacidade. Afinal, os drones da Amazon utilizam câmeras e sensores para navegar. Segundo a empresa, as imagens são armazenadas em unidades criptografadas, ficam acessíveis apenas a funcionários autorizados e são utilizadas para melhorar a segurança e o atendimento. Ainda assim, alguns moradores questionam como esses dados podem ser utilizados e se a presença das câmeras pode significar uma nova forma de vigilância sobre espaços privados.

A segurança dos próprios voos também entrou na discussão. Há casos de drones que erraram a entrega, incluindo um equipamento que lançou uma encomenda em uma piscina e outro que bateu em um prédio de apartamentos antes de cair próximo a uma calçada. A Amazon afirma que o programa passa por aprimoramentos e que mudanças nas operações podem ser feitas a partir das reclamações recebidas.

A empresa também contesta a dimensão do problema. Lindsay Hamilton, porta-voz da Amazon, afirmou ao The New York Times que a reação dos clientes tem sido “extremamente positiva” e que menos de 1% das reclamações sobre o programa neste ano estavam relacionadas ao ruído. A Amazon também comparou o som dos equipamentos ao de um ventilador de janela em baixa velocidade e afirmou que, durante a entrega, o drone é mais silencioso que um carro passando.

Enquanto moradores tentam pressionar autoridades e a própria empresa, o modelo continua avançando. A Amazon anunciou a expansão do Prime Air para 500 cidades até o fim do ano, enquanto a FAA estima que o número de drones registrados nos Estados Unidos possa ultrapassar 3,5 milhões até 2030, diante dos cerca de 897 mil registrados atualmente.

Com isso, Richardson acabou se tornando um exemplo concreto dos desafios que acompanham a chegada dos drones às áreas residenciais. Apesar dos benefícios de uma entrega rápida e simplificada, o caso mostra que levar entregas para o céu não depende apenas de desenvolver equipamentos capazes de voar, navegar e chegar ao destino. Também exige encontrar um equilíbrio entre a conveniência prometida pela tecnologia e os efeitos que esses voos podem ter sobre quem vive, trabalha e passa o dia sob suas rotas

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