Qual é o cheiro das nuvens? Esse comercial de absorventes dos anos 90 rendeu muitas piadas e memes. Tanto que, até hoje, ainda nos lembramos dele. No entanto, em todo esse tempo, não conseguimos responder à pergunta. Não fazemos ideia de qual é o cheiro das nuvens.
Mas atenção: o cheiro das nuvens de Júpiter é bem mais claro — ou, pelo menos, está representado — graças a Marina Barcenilla, uma astrobióloga e perfumista espanhola radicada no Reino Unido. Ela conseguiu recriar o cheiro de diversos objetos e estruturas espaciais, desde as nuvens de Júpiter até o asteroide Bennu.
Ela formulou a maioria de suas criações para exposição no Museu de História Natural de Londres. Contudo, também transformou algumas delas em perfumes por meio de sua marca, AromAtom. Não é a primeira vez que um perfume com cheiros do espaço é comercializado. Claro, não são para todo mundo; mas, se você é um amante de perfumes, é impossível não ficar curioso.
Química transformada em cheiros do espaço
Barcenilla baseia seus perfumes nos conhecimentos existentes sobre a composição da atmosfera ou da superfície de diversos objetos espaciais. Algumas das moléculas predominantes nesses ambientes não têm cheiro, como o hélio e o hidrogênio. Essas, obviamente, não podem ser representadas.
A perfumista baseia-se em outras que possuem odores característicos, embora, às vezes — quando se trata de compostos tóxicos —, ela as substitua por outras de aroma semelhante. É o caso do óleo de amêndoas amargas, usado como substituto do cianeto de hidrogênio.
Todo tipo de objeto
Segundo informações do IFLScience, Barcenilla já recriou praticamente todos os planetas do Sistema Solar, luas geladas como Io, Europa e Titã, além de meteoritos e o asteroide Bennu. Ela também gostaria de recriar exoplanetas, embora esteja ciente de que não há dados suficientes para produzir perfumes muito precisos.
Perfumes comerciais
Com a AromAtom, Barcenilla transformou vários odores do espaço em perfumes que podem ser usados sem que as pessoas fujam de você por causa do cheiro de ovo podre. Basicamente, foi selecionada a parte agradável desses aromas. Atualmente, a marca conta com quatro criações no mercado: Moon Walk, Out of This World, Ground Control e We Are the Martians.
Segundo o Fragrantica, o primeiro apresenta notas de saída minerais e de pimenta-preta, coração de raiz de íris e heliotrópio e, finalmente, uma base de notas atalcadas, de âmbar e almíscar. Isso significa que, logo ao ser borrifado, o perfume libera moléculas com cheiro mineral e picante; em seguida, dá lugar a moléculas mais florais e, para finalizar, o aroma mais denso — aquele que perdura — é atalcado e almiscarado.
AromAtoms
Out of this World apresenta notas mais complexas, com uma saída de óleo de cade, petitgrain, madeira de guaiaco e açafrão; coração de fumaça, flor de laranjeira, davana e amêndoa amarga; e base de sândalo, framboesa, almíscar, rum e âmbar.
Quanto ao Ground Control, sua saída traz abeto-balsâmico, cicuta, ozônio e folha de cedro; o coração conta com incenso, madeira de guaiaco, sândalo e cedro; e a base traz vetiver, petrichor (o famoso cheiro de chuva), madeira de agar, âmbar e musgo.
E, para finalizar, We Are the Martians tem uma saída muito especiada — com açafrão, pimenta-preta e cardamomo —, seguida por um coração de notas metálicas, fumaça e madeira de guaiaco, e arrematada com uma base de madeira de caxemira, incenso, âmbar e almíscar.
De modo geral, percebe-se que em todos eles predominam as notas amadeiradas, almiscaradas, especiadas, defumadas e metálicas. Esses são os aromas do espaço mais explorados na perfumaria.
Inspiração na NASA
Na verdade, estes não são os únicos perfumes com aromas do espaço que chegaram ao mercado. Há alguns anos, a empresa Eau de Space lançou dois perfumes baseados em misturas de aromas usados pela NASA para treinar seus astronautas. Um deles, chamado Eau de Space, tinha um aroma mais genérico, enquanto o segundo, Eau de Luna, concentrava-se nos cheiros do nosso satélite.
Nesse caso, tratava-se de perfumes mais simples; pois, em vez de apresentarem notas de saída, coração e base — como ocorre habitualmente na perfumaria —, eles traziam um conjunto de notas liberadas simultaneamente. No Eau de Space, as notas incluíam látex, toques metálicos, fogo, pólvora, ozônio, rum, amêndoas amargas e — para conferir um pouco mais de doçura — frutas e biscoitos.
Já o Eau de Luna contava com uma quantidade bem menor de notas: apenas pólvora, fogo e fumaça. Talvez este seja mais difícil de combinar no dia a dia. Seja como for, você arriscaria algum deles?
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