O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é frequentemente discutido sob a ótica das limitações, como a impulsividade e a desatenção. No entanto, um estudo internacional liderado pela Universidade de Bath traz uma perspectiva revolucionária: adultos com TDAH que reconhecem e utilizam seus pontos fortes apresentam níveis significativamente mais altos de felicidade e saúde mental.
Publicada na revista Psychological Medicine, a pesquisa é a primeira em larga escala a comparar as forças psicológicas de adultos com e sem o transtorno, revelando que o foco nas habilidades positivas pode ser um divisor de águas no bem-estar desses indivíduos.
Os "superpoderes" do TDAH
O estudo identificou que pessoas com TDAH têm uma probabilidade muito maior de possuir certas características positivas em comparação com pessoas neurotípicas. Entre os 10 pontos fortes mais marcantes, destacam-se:
- Hiperfoco: a capacidade de concentração profunda em tarefas de alto interesse.
- Criatividade: pensamento "fora da caixa" e soluções inovadoras.
- Humor e espontaneidade: uma abordagem vibrante e rápida perante a vida.
- Intuição: uma percepção aguçada que vai além da lógica linear.
O impacto na qualidade de vida
A pesquisa demonstrou que a consciência desses pontos fortes não é apenas uma questão de autoestima, mas de saúde clínica. Tanto no grupo com TDAH quanto no neurotípico, o uso frequente dessas habilidades foi associado a:
- Menos estresse, ansiedade e depressão.
- Melhor bem-estar subjetivo.
- Maior qualidade de vida nos âmbitos social, físico e psicológico.
Curiosamente, o estudo descobriu que adultos com TDAH são tão capazes de identificar e usar suas forças quanto qualquer outra pessoa — o que falta, muitas vezes, é o suporte externo que valide essas características em vez de focar apenas nos erros cometidos por esquecimento ou distração.
Uma nova abordagem terapêutica
Os pesquisadores defendem que o cuidado com o TDAH precisa evoluir para modelos baseados em pontos fortes, semelhantes ao que já ocorre no suporte ao autismo.
Isso inclui o desenvolvimento de programas e terapias que ajudem o indivíduo a identificar onde suas habilidades naturais brilham mais, seja no trabalho ou na educação.
Como afirma o Dr. Punit Shah, um dos autores do estudo: "Reconhecer que o TDAH possui diversos aspectos positivos pode ser extremamente empoderador". Educar a sociedade e os próprios pacientes sobre essas qualidades é o primeiro passo para transformar o diagnóstico de um fardo em um mapa de potencialidades.
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