A China produziu tantos painéis solares que quebrou uma regra histórica: esqueça os telhados, a solução barata agora é colocá-los em outro lugar

Muros que geram eletrecidade têm se tornado opção prática e econômica 

Foto: Reprodução/Internet
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Durante décadas, a energia solar esteve associada a telhados inclinados e grandes usinas fotovoltaicas. Agora, uma nova tendência começa a mudar essa lógica: a transformação de muros e cercas em superfícies geradoras de energia. A ideia, que parecia pouco eficiente há alguns anos, tornou-se viável com a queda nos preços dos painéis solares, puxada principalmente pela produção em massa na China.

Em alguns mercados, os módulos são vendidos a cerca de US$ 0,10 por watt, um valor quase simbólico quando comparado aos preços praticados em 2010 — acima de US$ 1 por watt. O recuo acumulado de cerca de 50% desde 2022 quebrou paradigmas: agora, até mesmo as superfícies consideradas “não ideais” — como paredes verticais, podem gerar energia de forma economica.

Produção em massa na China e queda histórica de preços

A principal razão por trás da nova forma de utilização da energia solar é a capacidade industrial chinesa, que cresceu em todas as etapas da cadeia — da purificação do silício à montagem dos módulos. Esse aumento na oferta global ultrapassou a demanda e derrubou os preços de forma acelerada, tornando os painéis solares o componente mais acessível da história da energia limpa.

Enquanto em 2017 os módulos ainda custavam cerca de US$ 0,40 por watt no mercado internacional, em 2024 o valor caiu para um quarto disso. A diferença muda toda a matemática do setor: quando o painel era caro, cada watt precisava estar na posição mais eficiente possível; hoje, o foco está no custo-benefício total da instalação, e não apenas na eficiência máxima.

Avanços tecnológicos tornam os painéis mais potentes

Além de mais baratos, os painéis solares também ficaram mais potentes e eficientes. A tecnologia monocristalina se consolidou como padrão e as novas células solares alcançam eficiências acima de 20%, o que há dez anos era restrito a modelos mais caros.

Atualmente, é comum encontrar módulos residenciais entre 500 e 600 watts, o que amplia a capacidade de geração mesmo em instalações com menor área — como cercas, muros e fachadas.

Muros solares: quando a simplicidade reduz o custo total

Instalar painéis em telhados envolve trabalho em altura, medidas extras de segurança e reforços estruturais, o que eleva os custos de mão de obra. Um “muro solar”, por outro lado, permite instalação mais simples, rápida e segura, além de acesso facilitado para manutenção.

Embora a posição vertical reduza a captação solar, a economia no custo de instalação e o preço mais baixo dos módulos compensam a diferença. O resultado é um sistema competitivo, modular e de fácil expansão, ideal para quintais, cercas e divisórias externas.

Planejamento ainda é essencial

Nem todo muro é adequado para gerar energia. A orientação solar, o sombreamento e a latitude da região influenciam diretamente o desempenho. Por isso, o sucesso das novas aplicações depende de um planejamento técnico que combine custo, área disponível e eficiência de geração.

Foto de capa: Reprodução/Internet


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