Patrimônio Mundial da UNESCO, a Igreja Sagrada Família, localizada em Barcelona, na Espanha, acaba de atingir um marco histórico. Na última sexta-feira (20), a basílica alcançou sua altura máxima de 172,5 metros com a instalação de uma cruz de 17 metros no topo da Torre de Jesus Cristo. A conquista ocorre 144 anos após o início das obras, iniciadas em 1882. Com a nova marca, a basílica projetada por Antoni Gaudí passa a ocupar oficialmente o posto de igreja mais alta do mundo.
Após 144 anos de obras, torre central é finalizada com cruz de 17 metros que eleva a basílica a 172,5 metros de altura
A conclusão da Torre de Jesus Cristo representa o ponto mais alto da construção da Igreja Sagrada Família, literalmente e simbolicamente. A peça instalada no topo da estrutura é o braço superior de uma cruz tridimensional de quatro braços, revestida de vidro e cerâmica branca vitrificada. A escolha do material foi pensada para refletir a luz natural e artificial, dando a impressão de que a Igreja brilha dia e noite.
Um detalhe interessante sobre a cruz é que ela é quase uma “estrangeira” na Espanha. Fabricada na Alemanha e transportada em partes até Barcelona, a estrutura foi pré-montada a 54 metros acima da nave central antes de ser içada por um guindaste de grande porte. Afinal, cada braço pesa cerca de 12 toneladas. Em relação ao design, ele segue a geometria de dupla torção usada por Gaudí nas colunas internas da basílica, mantendo a coerência estrutural e estética do projeto original.
Desde outubro do ano passado, quando ultrapassou os 162 metros, a Sagrada Família já havia superado a Ulmer Münster, na Alemanha, de 161,53 metros, tornando-se a igreja mais alta do planeta. Agora, com 172,5 metros, ela leva definitivamente o título de igreja mais alta do mundo.
A seguir, confira um vídeo mostrando a transformação da igreja ao longo dos últimos anos:
Com torres concluídas, Sagrada Família entra na fase final da construção — marcada por impasses urbanos e dependência do turismo
Embora a estrutura externa esteja praticamente finalizada com a conclusão das seis torres centrais, a construção ainda não chegou ao fim. Pelo visto, 144 anos de obras não foram o suficiente para a finalização dessa obra faraônica. O próximo grande desafio é a fachada da Glória, a terceira e última do templo, que exigirá intervenções urbanas significativas.
Isso porque o projeto prevê uma grande escadaria e uma praça frontal, o que implicaria na demolição de edifícios residenciais. É claro que a proposta enfrenta resistência de moradores, além de depender de negociações com a prefeitura de Barcelona, em meio à crise habitacional que a cidade vive. Com isso, o avanço no cronograma da fase final da é mais incerto do que nunca.
Essa incerteza se soma a outro fator decisivo: o financiamento. A obra, historicamente mantida por doações privadas e, mais recentemente, pela venda de ingressos (foram 4,8 milhões em 2024), já sofreu atrasos durante a pandemia e hoje não trabalha com uma data oficial de conclusão. A expectativa é que os trabalhos restantes avancem possivelmente até 2034, caso não surjam novos obstáculos no caminho.
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