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A redução das florestas está aumentando a sede de sangue humano do animal que mais mata nossa espécie no mundo

Estudo brasileiro revela como nós entramos cada vez mais no cardápio

Desmatamento
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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O desmatamento está alterando a biologia e o comportamento dos mosquitos de forma alarmante. Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution em janeiro de 2026 revela que, à medida que a Mata Atlântica encolhe, esses insetos estão deixando de picar animais silvestres para focar sua "sede de sangue" nos seres humanos.

A pesquisa, conduzida por biólogos do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que a destruição do habitat natural força os mosquitos a se adaptarem a ambientes dominados por pessoas. Com a expulsão ou extinção da fauna local, o ser humano torna-se o hospedeiro mais disponível e conveniente.

O DNA revela o cardápio dos mosquitos

Para entender essa mudança de preferência, os cientistas utilizaram armadilhas de luz em reservas naturais no Rio de Janeiro e analisaram o DNA do sangue encontrado no abdômen das fêmeas capturadas. Através de um método de "código de barras biológico", foi possível identificar exatamente de qual animal o sangue provinha.

Os resultados foram reveladores:

  • Das refeições identificadas, a grande maioria veio de seres humanos (18 casos), superando aves, anfíbios e roedores.
  • Algumas espécies apresentaram "refeições mistas", picando, por exemplo, um anfíbio e um humano em sequência. Esse comportamento é particularmente perigoso, pois facilita o salto de vírus de animais para pessoas.
  • Espécies que antes dependiam da biodiversidade da floresta agora vivem nas bordas das matas e em comunidades rurais, aumentando o contato direto com a população.

O risco de novas epidemias

A mudança no hábito alimentar dos mosquitos não é apenas um incômodo, mas um gatilho para crises de saúde pública. Ao preferirem o sangue humano em um ambiente ainda rico em patógenos silvestres, o risco de transmissão de vírus como Dengue, Zika, Febre Amarela, Chikungunya e Mayaro aumenta drasticamente.

O Dr. Jeronimo Alencar, da Fiocruz, explica que a perda da biodiversidade remove o "efeito de diluição" — quando o vírus circula entre muitos animais diferentes sem atingir os humanos com frequência. Sem esses animais, o caminho entre o vírus e a nossa espécie torna-se muito mais curto e direto.

Nossa interferência gera consequências

Os pesquisadores destacam que entender essas preferências alimentares é essencial para criar sistemas de alerta precoce. Saber que os mosquitos de uma determinada região estão focados em humanos permite que as autoridades de saúde realizem ações de controle direcionadas antes que um surto se espalhe.

A longo prazo, o estudo reforça que a preservação dos ecossistemas é uma das ferramentas mais eficazes de medicina preventiva. 

Manter as florestas em pé e sua fauna preservada é a melhor maneira de manter os mosquitos — e os vírus que eles carregam — longe das cidades e das casas. Quanto mais interferimos com os habitats naturais de animais, mais eles interferirão com os nossos, como consequência.

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