Descoberta de sistema hidrológico complexo em Petra faz com que seja repensada a história da engenharia

Para além de sua famosa arquitetura escavada na rocha, os nabateus foram verdadeiros mestres da água

petra / Imagem: Brian Kairuz
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1699 publicaciones de Victor Bianchin

A antiga cidade de Petra, esculpida nas majestosas rochas avermelhadas da atual Jordânia, sempre fascinou o mundo por sua monumentalidade arquitetônica. Mas a verdade é que ainda havia muito a descobrir ali — recentemente, uma equipe de arqueólogos voltou sua atenção para as entranhas de sua engenharia urbana e para o sistema utilizado para transportar água em um ambiente desértico.

Os arqueólogos desenterraram evidências surpreendentes que apontam para um sistema hídrico de sofisticação sem precedentes na região, transformando a compreensão de como a civilização nabateia conseguiu prosperar — e não apenas sobreviver — em um ambiente extremamente árido.

A descoberta foi divulgada na revista Levant pela equipe liderada pelo arqueólogo Niklas Jungmann, que documentou os achados no aqueduto ‘Ain Braq após prospecções iniciadas em 2023. Agora, os pesquisadores revelaram uma complexa rede de infraestruturas aquíferas que desafia concepções anteriores sobre a tecnologia hidráulica da Antiguidade no Oriente Próximo.

O que foi identificado

O epicentro dessa impressionante descoberta é a identificação de um conduto secundário formado por tubulações de chumbo que se estende por aproximadamente 116 metros. A questão é que a presença dessas tubulações de chumbo é um fenômeno extraordinariamente raro, especialmente fora do contexto de edifícios complexos ou grandes termas romanas.

Em Petra, esse conduto não era uma simples canalização ocasional, mas uma peça tecnológica de altíssima precisão integrada a um sistema que combinava essas avançadas conduções metálicas a canais abertos talhados diretamente na rocha natural.

Esse sistema hidráulico tinha como função regular de forma minuciosa a pressão e o fluxo da água. Os pesquisadores indicam que o trecho de chumbo funcionava mecanicamente como um sifão invertido — uma grande proeza técnica que permitia à água vencer os acentuados desníveis do terreno.

Com essas variações de nível, seria fácil que as tubulações colapsassem. No entanto, com o mecanismo concebido na época, foi possível manter a pressão da água e preservar seu impulso ao longo de todo o percurso.

Embora essa espécie de sifão invertido tenha chamado muita atenção, o sistema também incluía nove condutos, um grande reservatório, duas cisternas e sete depósitos menores. Tudo isso destinado a captar a escassa água disponível, minimizar sua evaporação e abastecer a cidade desértica.

O estudo vai além ao indicar que o sistema de aquedutos passou por pelo menos duas grandes fases de desenvolvimento. A primeira caracterizava-se pelo uso do chumbo, um material caro e tecnicamente exigente. Os especialistas associam essa obra monumental ao período do rei nabateu Aretas IV, sugerindo que o sistema teria sido vital para sustentar monumentos-chave da cidade, como o Grande Templo.

A segunda fase concentrou-se na instalação de um conduto de terracota ao lado do original. Essa transição para um material muito mais econômico e fácil de substituir demonstra a flexibilidade e a eficiência técnica de longo prazo da engenharia nabateia.

A descoberta dessas evidências de um sistema hidrológico complexo obriga historiadores e arqueólogos a repensarem o nível de desenvolvimento tecnológico em Petra. Para além de sua famosa arquitetura escavada na rocha, os nabateus foram verdadeiros mestres da água.

E não é de surpreender, pois era necessário contar com uma infraestrutura capaz de desafiar um deserto implacável, que poderia condenar as cidades que não soubessem evoluir e se adaptar às condições em que estavam se desenvolvendo.

Imagens | Brian Kairuz

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio