O 6G não está sendo desenvolvido para melhorar a velocidade da internet móvel: é geopolítica, e a China está investindo pesado nisso

  • China vem impulsionando desenvolvimento da tecnologia 6G há quase uma década com objetivo de dominar o cenário.

  • Atualização mais recente do Plano Quinquenal confirma investimento total será feito até 2030

Imagem | Pexels (editado com Gemini)
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Quando o 5G comercial estava apenas começando em 2018, a China já falava sobre a próxima geração. O gigante asiático rapidamente percebeu que o 6G seria um ativo estratégico e começou a trabalhar para dominar o debate antes de seus rivais. Porque não se trata de jogar jogos na nuvem com menor latência ou baixar dados mais rapidamente.

Trata-se de ter tecnologia de ponta antes da concorrência.

6G estratégico

Desde meados do século XX, a China possui o chamado "Plano Quinquenal", um roteiro que define os objetivos a serem desenvolvidos e alcançados ao longo de um período de cinco anos. Ele abrange tudo: energia, economia, sociedade, tecnologia e meio ambiente, e fornece uma estrutura para coordenar políticas que tornem os objetivos estabelecidos possíveis.

O 14º Plano Quinquenal focou no desenvolvimento de tecnologias que permitiriam à China se tornar autossuficiente em semicondutores e tecnologias digitais como o 6G. O prazo já passou e vimos um progresso enorme nesse período (especialmente em semicondutores). Agora, o novo plano de desenvolvimento acaba de ser publicado, visando consolidar essa soberania, mas também incluindo dois objetivos principais: IA e 6G como motores do crescimento econômico.

Cronologia

O novo roteiro define o objetivo para o período de 2026 a 2030, mas o país vem preparando o terreno há anos. Em 2019, a Huawei indicou que estava realizando testes internos do 6G e acreditava que a implantação comercial não começaria antes do final da década seguinte. Esse momento está se aproximando e progressos foram feitos.

Em 2020, a China lançou o que foi considerado o primeiro satélite 6G do mundo. Em 2022, experimentou o envio de pacotes de dados de um terabyte por segundo a uma distância de um quilômetro e, em 2023, soubemos que aplicações militares também estavam sendo exploradas. Por exemplo, a análise de vibrações na água para detectar desde aeronaves até os menores submarinos e drones em alto-mar.

Em meados do ano passado, a emissora estatal CCTV comentou que as metas da China para o 6G estavam sendo atingidas conforme o planejado, destacando, mais uma vez, como faz sempre que aborda o assunto, a liderança do país nessa área.

E… para quê?

A China quer que o mundo saiba que está desenvolvendo ativamente essa tecnologia. A grande questão é… precisamos do 6G? Aqui reside um grande equívoco: pensar que o 6G é uma tecnologia para usuários individuais. É claro que dispositivos de consumo capazes dessas velocidades serão essenciais para aplicações, como inteligência artificial, que não são calculadas localmente, mas o 6G não se destina tanto a dispositivos móveis, e sim à rede global.

A mesma declaração da CCTV explica que "o 6G é mais do que apenas uma tecnologia de comunicação". Trata-se de alimentar dispositivos mais complexos, terminais inteligentes e novas gerações de sensores. O objetivo é atingir velocidades superiores a 100 Gbps com latência inferior a um milissegundo (os números do 5G giram em torno de 1 Gbps), o que beneficiará o controle remoto de dispositivos, o número de conexões simultâneas e tarefas que exigem precisão absoluta, como enxames de robôs trabalhando em campo e coordenados por inteligência artificial.

Parece ficção científica, mas a Samsung revelou recentemente seus planos para transformar suas fábricas até 2030. Robôs serão a força de trabalho e a IA, o cérebro. Em seu plano quinquenal atualizado, a China enfatiza o desenvolvimento da IA ​​incorporada, ou "robótica com IA", como um dos pilares do desenvolvimento tecnológico do país.

Todos querem liderar

O país explicou que "o futuro 6G não será apenas uma rede de comunicação móvel, mas uma nova geração de informação móvel". É claro que, com a ampla gama de possibilidades que algo assim abre, e com a importância que isso pode ter para a implantação acelerada e massiva de robôs, IA física e até mesmo computação remota em data centers, nenhum país quer perder a oportunidade.

Afinal, a China tem gigantes como a Huawei, mas a Coreia do Sul tem a SK Telecom e a Samsung. Ambas já expressaram sua intenção de começar a testar a tecnologia em curto prazo com uma meta ambiciosa: ter uma rede 6G funcional até 2028. O Japão também está na corrida.

A Europa (que perdeu a oportunidade com o 5G) não quer que isso se repita com o 6G, e os Estados Unidos, cujo atual presidente afirmou em 2019 que queria o 6G para ontem, também estão na disputa.

Um problema fundamental

A China quer vencer a batalha do 6G antes mesmo que ela comece, mas, embora seja evidente que eles estão trabalhando nisso e liderando o mundo em pedidos de patentes (assim como aconteceu com a Huawei graças ao 5G), nós, como usuários, acreditamos que as coisas ainda vão demorar para engrenar.

Em relatório do ano passado, a Ericsson, gigante das comunicações, apontou um problema fundamental: enquanto as concorrentes implantaram bandas de ondas milimétricas, a maioria dos países europeus priorizou as bandas médias e baixas. Mais cobertura, menos velocidade, e embora em breve estejamos falando do 6G como a tecnologia atual, o 5G já existe há mais de seis anos e ainda está em seus estágios iniciais.

Imagem | Pexels (editado com Gemini)

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