Tendências do dia

China tem tantos carros elétricos nas ruas que os utilizará para gerar energia para residências

  • Essa é a vantagem de uma política industrial unificada que alinhou a todos nos últimos 20 anos

  • Carros elétricos representam agora 10% da frota total de veículos

  • Reserva de baterias poderá ser utilizada quando a rede elétrica do país apresentar picos de consumo

  • Proprietários dos veículos serão remunerados por isso

Imagem | Yayimages
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pedro-mota

PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Esta é mais uma das áreas em que os chineses estão um passo à frente. Eles já detêm o controle da produção de baterias e do refino de metais essenciais para veículos elétricos e estão em processo de idealização de uma enorme rede de estações de carregamento bastante especiais: terminais capazes de recarregar o veículo conectado, bem como recuperar energia de sua bateria para redistribuí-la à rede elétrica chinesa em caso de falha ou pico de consumo.

A famosa tecnologia V2G está cada vez mais presente na Europa, em modelos como o Renault 5, mas enfrenta dificuldades para se consolidar. Algumas operadoras e fabricantes oferecem promoções especiais V2G para clientes que deixam seus veículos conectados à tomada.

É o caso recente da Polestar, que lançou uma oferta especial, por enquanto apenas na Califórnia, nos EUA. Provavelmente, porém, não na mesma escala da China, que já inaugurou dezenas de estações V2G em grandes cidades.

Na prática, o cliente pode deixar seu carro conectado à estação de carregamento por horas a fio para vender a energia da bateria. Por enquanto, o negócio está indo muito bem, mas a expectativa é que isso não dure.

Modelo econômico insustentável?

Imagem | Avere Imagem | Avere

A tecnologia V2G apresenta diversos problemas técnicos e econômicos. Os terminais e carregadores precisam ser capazes de se comunicar com a rede elétrica nacional e se adaptar à sua frequência, que pode variar ligeiramente. Uma verdadeira dor de cabeça, o próprio fabricante.

Há também a questão da remuneração. Atualmente, na China, seria possível ganhar até US$ 200 por mês deixando o veículo conectado (mais de R$ 1,1 mil). Um cliente em um estacionamento numa grande cidade chinesa chegou a admitir à imprensa local que ganhou US$ 197 em dois dias deixando seu veículo no terminal. Segundo ele, o equivalente a um ano de carregamento em casa! Esses valores parecem delirantes e especialmente insustentáveis, considerando que quase 35 milhões de veículos elétricos circulam hoje na China, ou seja, 10% da frota nacional de carros.

V2G na Europa?

Por enquanto, se a remuneração é tão vantajosa, é porque o governo chinês subsidia generosamente o V2G para lançar a tecnologia em nível nacional. Os primeiros a serem atendidos são, portanto, os mais beneficiados, mas é quase certo que, uma vez que a rede esteja estabelecida (5 mil estações estão planejadas em todo o país), os preços cairão drasticamente.

No que diz respeito à Europa, Bruxelas impôs aos operadores que todas as estações de carregamento instaladas a partir de 2027 devem ser equipadas com a tecnologia V2G. Mas sob qual modelo econômico os clientes devem ser remunerados? Ainda é uma grande incógnita.

Para a China, a estratégia é clara: investir dinheiro público em tecnologias em seus estágios iniciais (como foi o caso do veículo elétrico) para inundar o mercado e alcançar a democratização completa o mais rápido possível, a fim de migrar para um formato econômico diferente do de subsídios. Mas tudo isso só se sustenta se o desenvolvimento ocorrer sem que a falência do setor comprometa todo o sistema. Uma aposta que continua arriscada.

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