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Pesquisadores colaram musgo na parte externa da Estação Espacial Internacional por 283 dias — e ele sobreviveu

Um experimento digno de ficção científica: o musgo resiste ao ambiente mais hostil. O que isso significa para a exobiologia?

Musgo na EEI
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Um astronauta inusitado viajou recentemente para a Estação Espacial Internacional. Sua missão a serviço da ciência: explorar os limites da vida terrestre. Para isso, o musgo teve que suportar condições extremas do lado de fora da estrutura da estação espacial.

A análise foi apresentada agora pelos pesquisadores em um estudo. Ela alimenta esperanças sobre a existência de vida no cosmos — e até sobre a possibilidade de “reverdecer” mundos alienígenas.

“Tortura” de musgo a serviço da ciência

Toda forma de vida enfrenta dois desafios: sobreviver e se reproduzir. Sem essas duas características, qualquer ser desaparece rapidamente — dos primatas mais complexos até o micróbio mais simples. Para se manter, a vida precisa superar condições adversas e ainda conseguir se multiplicar.

A aventura espacial foi, na verdade, provocada pelo próprio musgo de nome complicado: Physcomitrium patens. Se ele sobrevive até mesmo nas condições mais adversas da Terra, como desertos ou o Ártico, como se sairia no espaço? Os pesquisadores se interessaram pela ideia de testar, no ambiente mais extremo possível, a resistência que ele demonstra no nosso planeta.

A ideia virou um projeto e amostras foram enviadas em contêineres especiais no compartimento de carga de uma cápsula Cygnus, que foi lançada em março de 2022 rumo à Estação Espacial Internacional. Lá, os esporos foram colocados do lado de fora da estação e deixados por 283 dias à própria sorte. Nesse período, passaram por uma verdadeira tortura:

  • Vácuo
  • Radiação
  • Secura
  • Variações extremas de temperatura, de -196 °C a +100 °C
  • Microgravidade

Os pesquisadores esperavam que justamente a combinação de todos esses fatores de estresse fornecesse resultados mais significativos. Afinal, o musgo pode até resistir à radiação ou talvez ao vácuo isoladamente, mas as chances mudam completamente quando todas essas condições atuam ao mesmo tempo. Esse estresse biológico é o que realmente separa os organismos mais resistentes dos demais — e define quem ainda teria alguma chance de sobreviver e, depois, se regenerar.

Surpresa após a “colheita”

“Tínhamos esperado uma taxa de sobrevivência próxima de zero, mas ocorreu o contrário: a maioria dos esporos sobreviveu. Ficamos profundamente impressionados com a extraordinária resistência dessas minúsculas células vegetais. Este estudo comprova a notável robustez da vida, cuja origem está na Terra.” - Tomomichi Fujita, da Universidade de Hokkaido

Mais de 80% dos esporos conseguiram se regenerar após retornar à Terra e depois se reproduzir com sucesso. Com isso, a equipe demonstrou pela primeira vez que uma planta terrestre primitiva e simples pode sobreviver viva a uma longa exposição ao espaço.

Os pesquisadores também têm uma hipótese sobre o que ajudou o musgo: parte do sucesso extraordinário pode ser atribuída aos seus sistemas de reparo de DNA. Além disso, os esporos possuem uma estrutura semelhante a uma casca, que protege o interior — quase como uma armadura externa.

Por quanto tempo os esporos poderiam sobreviver no espaço? Para investigar essa questão, os cientistas usaram os dados para criar um modelo matemático. O resultado: cerca de 5.600 dias, ou aproximadamente 15 anos. No entanto, eles ressaltam que tanto o cálculo quanto os dados utilizados não permitem conclusões definitivas — o número serve apenas como uma estimativa aproximada.

Apenas o começo de uma jornada

Para Tomomichi Fujita, isso leva a conclusões empolgantes:

“Isso fornece evidências impressionantes de que a vida que evoluiu na Terra possui, em nível celular, mecanismos intrínsecos para resistir às condições do espaço.”

A resistência demonstrada sugere que certas sementes de plantas poderiam “hibernar” no espaço. Ao despertar, talvez pudessem germinar em um planeta alienígena. Já conhecemos algo semelhante em pequenos organismos — alguns deles também já foram expostos do lado de fora da Estação Espacial Internacional.

Enquanto isso, até mesmo um musgo aparentemente simples carrega um enorme potencial para nos ensinar princípios fundamentais sobre a sobrevivência no universo. Afinal, a vida encontra um caminho — às vezes, até mesmo fora da Terra.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Game Star.


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