Tendências do dia

Capital da Sérvia testa “árvores líquidas” para limpar o ar

Diante da dificuldade de plantar árvores nas grandes cidades, essas “árvores líquidas” estão ganhando força

Árvore líquida em Belgrado
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1898 publicaciones de Victor Bianchin

Atualmente, a cidade de Belgrado, capital da Sérvia, tem um problema importante no que diz respeito à qualidade do ar, algo que já é bastante típico das grandes cidades. Por lá, a situação é crítica, com algumas áreas onde os limites recomendados pela OMS são ultrapassados em até cinco vezes. Para resolver isso, o governo optou por instalar o que denominou “árvores líquidas”.

Sob o nome de LIQUID 3, esse projeto está em operação desde 2021 em frente à Prefeitura de Stari Grad, na capital sérvia. Para a surpresa de muitos, não tem forma de árvore, mas sim de um simples tanque de vidro preenchido com 600 litros de água habitada por microalgas locais.

Mas o fato de não ter a forma de árvore não significa que não funcione como tal, já que o tanque literalmente utiliza a fotossíntese para absorver o dióxido de carbono do ambiente e liberar oxigênio puro no ar. Um único tanque de LIQUID 3 equivale à capacidade de absorção de duas árvores de 10 anos ou a 200 metros quadrados de gramado.

Pode parecer estranho que um simples tanque supere uma árvore adulta na hora de “purificar” o ar, mas a biotecnologia conseguiu algo incrível. A ciência observou que as microalgas têm a capacidade de captar dióxido de carbono e fixá-lo entre 10 e 50 vezes mais rápido do que as plantas terrestres em condições controladas.

De fato, os estudos apontam que essas algas podem fixar aproximadamente 1,8 grama de CO₂ para cada grama de biomassa gerada, alcançando eficiências de remoção de CO₂ próximas de 50%.

Projetado para a cidade

Estar no centro de uma cidade não é fácil, e é por isso que os cientistas tiveram que utilizar cepas de microalgas de água doce da Sérvia que crescem com simples água da torneira e suportam flutuações extremas de temperatura. As pesquisas apontam que essas espécies estão prontas para os ambientes mais hostis.

Outro ponto positivo é que essas algas quase não exigem manutenção: a cada mês e meio, a biomassa gerada é extraída e são adicionados água e minerais frescos. Essa biomassa pode ser usada como um excelente fertilizante natural.

O LIQUID3 não é apenas um experimento de laboratório que foi para as ruas, mas foi projetado como mobiliário urbano multifuncional, já que, além de purificar o ar, a estrutura funciona como um banco para sentar e até adiciona painéis solares para carregar o celular ou fornecer iluminação noturna.

Embora pareça promissor, a verdade é que é preciso manter os pés no chão diante do entusiasmo tecnológico. Ainda faltam estudos que possam validar o impacto a longo prazo e medir se esses tanques realmente estão trazendo bons resultados.

Mas a nuance mais importante aqui é que esses sistemas não substituem as árvores ou as florestas tradicionais, que logicamente devem continuar onde estão e ter sua implementação incentivada. Dessa forma, concluímos que essa tecnologia foi projetada para áreas urbanas densas e altamente poluídas, onde o plantio tradicional é logisticamente impossível. Ali, onde o asfalto não cede nem um centímetro para as raízes, as árvores líquidas se erguem como um oásis verde de alta tecnologia, dando um respiro aos pulmões da cidade.

Imagens | LIQUID3

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio