Esqueça o iogurte: segundo a ciência, o melhor probiótico agora é o kefir

O kefir está começando a conquistar muitos seguidores, e as bactérias que ele contém são as protagonistas

Kefir
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Nos últimos meses, um produto lácteo que começou a se popularizar muito nas prateleiras da Europa, ameaçando o reinado do iogurte tradicional. Estamos falando do kefir, um alimento sobre o qual se ouve cada vez mais e que registra um auge impulsionado pelas redes sociais, onde são divulgados os benefícios que ele pode ter para o aparelho digestivo.

Durante décadas, o iogurte foi o líder indiscutível para cuidar da nossa flora intestinal devido às bactérias “boas” que tem em sua composição. No entanto, em nível microscópico, a batalha é completamente desigual: um iogurte convencional costuma conter entre 2 e 5 cepas bacterianas, cujos efeitos no intestino são transitórios, enquanto o kefir é um consórcio simbiótico massivo e oferece um resultado melhor no longo prazo.

Estamos falando de um ecossistema que abriga entre 30 e 50 cepas de bactérias e leveduras. As revisões publicadas destacam que essa esmagadora diversidade microbiológica permite ao kefir sobreviver aos ácidos estomacais e “se instalar” no intestino de forma persistente. Dessa maneira, as bactérias não estão apenas de passagem, como pode ocorrer com o iogurte — o kefir se instala e transforma a flora bacteriana.

O nível de lactose residual também é significativamente menor, pois as bactérias e leveduras do kefir “consomem” grande parte do açúcar do leite durante sua fermentação, o que explica por que há ensaios clínicos que demonstram que pessoas intolerantes à lactose o digerem com menos refluxo e também com menor inchaço.

O que a ciência diz

Há diferentes fontes que podem ser consultadas e que apontam que o consumo de kefir reduz algumas das bactérias que colonizam nossa boca e produzem cáries, além de ser um aliado comprovado na erradicação da temida bactéria Helicobacter pylori (embora, para eliminá-la, seja necessário um tratamento antibiótico rigoroso).

Uma meta-análise recente publicada em 2025 aponta que o kefir também reduz marcadores de inflamação geral e de estresse oxidativo, que são dois dos grandes inimigos que enfrentamos quando falamos de agentes nocivos para o organismo se mantidos ao longo do tempo. Além disso, também foi comprovada sua capacidade de reduzir a glicose em jejum e a resistência à insulina, tornando-o um alimento de interesse para o controle do diabetes tipo 2.

Porém, como tudo na ciência nutricional, quantidade e frequência são fundamentais. Os estudos indicam que, para obter esses benefícios metabólicos e anti-inflamatórios, são necessárias doses entre 400 e 600 mililitros diários, mantidas durante períodos de 4 a 12 semanas de maneira constante. Se o kefir for consumido de forma “intermitente” e sem consistência, não se deve esperar nenhum resultado.

Qual escolher?

Embora possa parecer, nem todos os kefires são iguais, já que um ensaio piloto em homens saudáveis demonstrou que o kefir tradicional (feito a partir de nódulos reais) reduz muito mais o colesterol LDL e as citocinas inflamatórias do que as versões comerciais ultraprocessadas.

A razão é bastante simples: a industrialização costuma simplificar a diversidade microbiana para esterilizar o produto, perdendo no caminho parte dessa “magia” microbiológica que tanto apreciamos.

Imagens | freepik

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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