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Arqueólogos desenterram uma cápsula do tempo da Segunda Guerra Mundial: um veículo blindado alemão que ainda preserva sua camuflagem 80 anos depois

  • O veículo permaneceu enterrado desde 1945 em uma antiga base militar alemã no Mar do Norte;

  • Ele conserva parte de sua pintura de camuflagem, suas esteiras e até mesmo marcas que poderiam corresponder a 17 tanques inimigos destruídos

Arqueólogos desenterram uma cápsula do tempo da Segunda Guerra Mundial: um veículo blindado alemão que ainda preserva sua camuflagem 80 anos depois
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Fabrício Mainenti

Redator

Enterrado sob as areias da costa do Mar do Norte, entre a Noruega e a Dinamarca, estava um dos veículos blindados mais icônicos da Segunda Guerra Mundial. Uma equipe de trabalhadores o descobriu durante obras na base aeronaval de Nordholz, no distrito alemão de Cuxhaven; ele estava enterrado ali desde o fim do conflito, funcionando, na prática, como uma cápsula do tempo sobre lagartas.

O veículo é um Sturmgeschütz III (StuG III), um canhão de assalto do qual a Alemanha fabricou mais de 9.300 unidades, tornando-o um dos veículos blindados mais utilizados pela Wehrmacht. O aspecto mais notável dessa descoberta incrível é o seu estado de conservação: apesar de pesar quase 29 toneladas, sua estrutura permanece praticamente intacta e ele ainda conserva parte de sua pintura de camuflagem original.

Isso é, sem dúvida, extraordinário, visto que o veículo passou 80 anos enterrado perto da costa, exposto a um ambiente que, em teoria, deveria ter acelerado sua corrosão.

Muito mais do que um veículo blindado: uma cápsula do tempo da Segunda Guerra Mundial

Arqueólogos que examinaram o veículo o consideram uma das descobertas mais significativas dos últimos anos, pois não encontraram apenas destroços ou peças dispersas, mas o veículo em si — praticamente completo. Seu canhão ainda ostenta 17 marcas brancas que, segundo especialistas, provavelmente representam o número de tanques inimigos destruídos por sua tripulação antes de o veículo ser inutilizado.

Vale ressaltar que o StuG III foi um dos veículos blindados mais importantes do exército alemão. Embora frequentemente confundido com um tanque de batalha principal, tratava-se, na verdade, de um canhão de assalto projetado para oferecer apoio à infantaria. Sua característica mais distintiva era a ausência de uma torre giratória; para mirar a arma, era necessário manobrar todo o veículo utilizando suas lagartas.

Imagens | A. Hüser/Distrito de Preservação de Monumentos Arqueológicos de Cuxhaven

Essa escolha de projeto simplificou a fabricação, reduziu custos e permitiu a produção em larga escala, tornando-o um dos veículos blindados mais numerosos da guerra. O arqueólogo Andreas Hüser, responsável pelo patrimônio arqueológico do distrito de Cuxhaven, conseguiu acessar o interior do blindado logo após sua recuperação.

Ele descreveu o interior como um espaço "muito impressionante", porém "opressoramente apertado" — uma área compartilhada pelo motorista, comandante, artilheiro e carregador, todos cercados por munição e componentes mecânicos. O próprio soterramento criou um microambiente que protegeu o aço por décadas, permitindo que partes da camuflagem original, as esteiras e diversos elementos mecânicos permanecessem intactos.

Não será sequer removida a areia que o protegeu durante 80 anos

Pesquisadores acreditam que o veículo blindado foi enterrado deliberadamente após a rendição da Alemanha em 1945; durante os esforços de desmilitarização, as forças Aliadas frequentemente optavam por enterrar veículos e armamentos capturados para acelerar o desarmamento do país.

Segundo o arqueólogo Henning Haßmann, "tais descobertas ajudam a reconstruir um período do final da guerra sobre o qual existem relativamente poucas evidências materiais", complementando assim o registro histórico.

Imagens | A. Hüser/Distrito de Preservação de Monumentos Arqueológicos de Cuxhaven

Os restauradores afirmam que não pretendem devolver ao veículo sua aparência original; em vez disso, quando for transferido para o Museu de Tanques de Münster neste verão, ele passará por um processo de conservação destinado a preservar, inclusive, parte da areia na qual permaneceu enterrado por oito décadas.

Posteriormente, ele passará a integrar o acervo do Museu de História Militar da Bundeswehr, em Dresden. Lá, além de servir como uma peça valiosa da engenharia militar, o veículo testemunhará a tentativa da Alemanha de apagar os vestígios materiais da guerra — e como a arqueologia continua a recuperá-los 80 anos mais tarde.

Imagens | A. Hüser/Distrito de Preservação de Monumentos Arqueológicos de Cuxhaven

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