Todo mundo os tem no rosto: pesquisas revelam que os ácaros dos poros estão passando de uma relação parasitária para uma simbiótica

ácaros na pele humana
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Fabrício Mainenti

Redator

Quase todas as pessoas abrigam uma população de ácaros invisíveis no rosto, e a maioria convive com eles ao longo da vida. Pesquisas recentes sugerem que esses ácaros dos folículos pilosos — que habitam os poros humanos — podem não ser mais meros parasitas; em vez disso, parecem estar evoluindo para parceiros simbióticos que dependem inteiramente do corpo humano para sobreviver.

Eles podem até contribuir para a manutenção da saúde da pele, desafiando percepções antigas sobre eles.

Segundo uma reportagem do Science Alert, pesquisadores que analisaram a genética dos ácaros dos folículos pilosos descobriram que eles se tornaram altamente adaptados ao ambiente humano. Eles parecem estar evoluindo para uma "simbiose obrigatória", o que significa que não conseguem sobreviver longe do corpo humano.

O estudo também indica que, quanto mais tempo esses ácaros convivem com humanos, mais suas estruturas físicas e genomas se simplificam, mantendo apenas as funções essenciais para a sobrevivência.

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Este estudo foi conduzido por uma equipe da Universidade de Reading (Reino Unido), da Universidade de Bangor (Reino Unido) e da Universidade de Viena (Áustria), com resultados publicados na revista Molecular Biology and Evolution. A pesquisa aponta que os ácaros dos folículos pilosos passam quase toda a vida dentro dos poros humanos, alimentando-se de células mortas da pele que se desprendem naturalmente.

Eles se escondem nas profundezas dos poros durante o dia e emergem brevemente para a superfície da pele à noite para encontrar parceiros, antes de retornarem aos poros.

Viver no ambiente estável do corpo humano — praticamente sem predadores naturais e com pouca competição de outros organismos — levou à evolução de um genoma altamente simplificado. Consequentemente, eles possuem uma das menores contagens de genes entre espécies de ácaros intimamente relacionadas.

Potencial para redefinir a relação entre humanos e ácaros

A equipe de pesquisa também derrubou um mito antigo. Acreditava-se anteriormente que os ácaros dos folículos pilosos não possuíam ânus, fazendo com que os resíduos acumulados fossem liberados de uma só vez após a morte, desencadeando assim problemas de pele. No entanto, o estudo mais recente confirma que eles realmente possuem um sistema excretor completo, refutando essa teoria.

Os pesquisadores afirmam que humanos e ácaros dos folículos pilosos coevoluíram ao longo de milhões de anos, e que os ácaros não têm necessariamente um impacto puramente negativo no corpo humano.

Se estudos futuros confirmarem funções como a manutenção do ambiente dos poros ou a remoção de células mortas da pele, isso poderá reformular nossa compreensão da relação simbiótica entre os seres humanos e esses minúsculos organismos. No entanto, ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar esses efeitos.

Imagem dentro do texto | cortesia da Universidade de Reading

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