Um dos principais gargalos na indústria de inteligência artificial é a capacidade computacional. Nós, como usuários, já estamos sentindo a primeira consequência: a espetacular crise da memória DRAM, que elevou o custo da tecnologia, desde celulares básicos até produtos da Apple.
Embora já se fale há algum tempo sobre os problemas de capacidade de empresas como Anthropic e OpenAI, o problema mais grave é que o Google também está sofrendo com eles. Isso impacta terceiros, como a Meta.
Limites no uso do Gemini
Segundo o Financial Times, o Google foi forçado a limitar o uso do Gemini devido à enorme demanda de clientes como a Meta.
Foi a empresa de Mark Zuckerberg que, após solicitar mais poder de processamento, teve seu pedido negado pelo Google. Isso, naturalmente, tem consequências: vários projetos da Meta estão sendo adiados, e a empresa pediu a seus funcionários que sejam mais cautelosos com o uso de tokens de IA.
Por que isso importa?
O Google é um hiperescalador, ou seja, uma grande empresa de tecnologia com a infraestrutura necessária para oferecer serviços em nuvem a milhares de clientes em larga escala.
Mas o fato de essa gigante da tecnologia estar limitando clientes como a Meta evidencia uma dura realidade: mesmo gastando centenas de bilhões em chips, data centers e energia, isso não é suficiente para atender às demandas de recursos da IA.
O problema da Meta
A Meta vem reformulando sua estratégia de IA há vários meses e investindo uma fortuna nisso, mas, até o momento, o Gemini tem apresentado melhor desempenho do que os modelos da Llama, segundo o Financial Times.
Por ora, a dependência do Google é evidente, e a Meta utilizava o Gemini para diversas tarefas, como moderação de conteúdo sensível, atendimento ao cliente e publicidade.
A nuvem
Embora a Meta esteja dando passos rumo à independência em IA, investindo pesadamente, falta-lhe uma peça fundamental: ela não possui um negócio de nuvem como outras grandes empresas de tecnologia, como o Google (com o Google Cloud), a Amazon (com a AWS) ou a Microsoft (com o Azure).
As dúvidas sobre a rentabilidade da IA inevitavelmente persistirão, mas o que é certo é que, hoje, o verdadeiro vencedor é a nuvem. A OpenAI está perdendo dinheiro, enquanto as três empresas que acabamos de mencionar continuam a apresentar receitas robustas.
Não haverá descanso para a RAM
Enquanto o boom dos data centers continuar (e não parece que vá parar), a crise da capacidade computacional continuará a causar dores de cabeça para as empresas e, como dano colateral, para os usuários.
A crise da RAM continua a ameaçar nossos bolsos, e tudo indica que os preços se normalizarão em breve.
Imagem | Giovanni Castillo (Pexels)
Ver 0 Comentários