A Meta está mudando de lado no mercado de IA; está passando de comprar poder computacional para vendê-lo

A Meta está preparando um negócio de computação em nuvem para vender o excesso de poder computacional que possui após investir US$ 145 bilhões em data centers; o mercado recompensou a empresa, mas a iniciativa diz muito

A Meta está mudando de lado no mercado de IA. Está passando de comprar poder computacional para vendê-lo.
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
fabricio-mainenti

Fabrício Mainenti

Redator

Segundo a Bloomberg, a Meta está projetando um negócio de computação em nuvem para vender a capacidade excedente de seus data centers de IA para terceiros. A empresa está considerando duas abordagens:

  1. Oferecer acesso a modelos hospedados em sua infraestrutura;
  2. Ou alugar diretamente poder computacional, similar ao modelo das neoclouds.

O contexto geral

Zuckerberg vem insinuando essa mudança há algum tempo. Na reunião de acionistas de maio, ele afirmou que competir na nuvem era "definitivamente uma possibilidade" e que empresas o procuravam "quase toda semana" para comprar poder computacional dele. Agora, essa ideia inicial se tornou um plano de negócios.

  • O serviço incluiria acesso ao Muse Spark, modelo próprio da Meta, que ainda não tem data de lançamento para desenvolvedores terceirizados;
  • A empresa também está explorando o aluguel de poder bruto de GPUs, o modelo de negócios da CoreWeave e da Nebius.

Por que isso é importante

Entre 2023 e 2026, a Meta construiu uma das maiores infraestruturas de computação do mundo praticamente sozinha, sem parceiros ou clientes externos para monetizá-la. Noventa e oito por cento de sua receita ainda vem de publicidade.

Transformar esses data centers em um produto que vende, e não apenas em um custo absorvido, é o primeiro indício público de que a Meta precisa de outra fonte de receita para justificar o investimento.

Em números:

Nas entrelinhas

O paralelo mais claro é com a SpaceX. A empresa de Musk, proprietária da xAI, começou a alugar capacidade de seus data centers para o Google e a Anthropic por mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) por mês entre as duas empresas.

Ambas as empresas compartilham um padrão: treinaram seus próprios LLMs (Learning Learning Machines) sem alcançar a adoção em massa pelo mercado e agora monetizam o que sobra em vez do que produzem.

O contraste

O Google é o espelho no qual a Meta se vê, e não é um reflexo favorável. Lançou seu negócio de nuvem em 2008, abriu capital em 2011 e só obteve lucro em 2023. Quinze anos para a computação se tornar lucrativa. A Meta teria que construir uma equipe de vendas e suporte técnico do zero, algo que não possui atualmente — bem diferente de vender espaço publicitário automaticamente, como vem fazendo.

Sim, mas

Isso não deve ser interpretado apenas como um sinal de fraqueza. Se você vai construir capacidade de qualquer maneira, é racional não deixá-la ociosa, mas transformá-la em um ativo. O próprio Zuckerberg descreveu a situação dessa forma em maio, quando explicou que a demanda interna havia absorvido toda a capacidade disponível até então. Mas isso mudou.

E agora?

A questão que permanece é de que lado a Meta quer estar: do lado daqueles que competem para construir o melhor modelo, ou do lado que vende infraestrutura para aqueles que o fazem.

Há alguns meses, o Google cortou o acesso da Meta ao Gemini devido à falta de capacidade e forçou a Meta a racionar o consumo de tokens entre seus próprios funcionários. Vender computadores hoje também significa não depender mais de terceiros para vender para você.

Imagem de capa | Xataka

Inicio