A China estabeleceu uma presença sólida na Europa. A indústria automotiva europeia assiste a uma chegada desenfreada de fabricantes chineses empenhados em vender o maior número possível de veículos, no ritmo mais acelerado possível. Essas fabricantes buscam locais para fábricas, entram em novos mercados e tentam construir a infraestrutura necessária para colocar seus carros em nossas estradas.
Essa enorme afluência está gerando consequências nos portos europeus.
Sobrecarga
Essa é a avaliação da equipe do Motorpasión. Grandes portos europeus ficaram congestionados com carros chineses que não estão sendo escoados. Imagens de satélite revelam que essa chegada massiva de veículos está transformando locais que antes eram pontos de trânsito em verdadeiros pátios de armazenamento para carros chineses.
Os principais portos europeus estão suportando o maior impacto dessa afluência. Antuérpia-Zeebrugge (Bélgica), Bremerhaven (Alemanha) e Barcelona (Espanha) enfrentam os maiores volumes de veículos enviados da China e parados em pátios europeus.
O que os dados mostram?
Exatamente isso. A GFM Review relata que os grandes portos mencionados enfrentam o desafio de gerenciar um estoque enorme de veículos que não estão sendo distribuídos. A situação chegou a tal ponto que alguns veículos teriam permanecido parados por 18 meses.
Segundo dados levantados pelo elDiario.es, Barcelona está despontando como um importante polo na Europa. No ano passado, o número de carros que chegaram ao porto catalão cresceu 5%, mas as importações da China dispararam mais de 40%. Apenas em janeiro, o volume de carros recebidos aumentou 80% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O El Mercantil relata que o acúmulo de veículos no porto exigiu a utilização de trens extras (não programados) para distribuir carros a Madri — especificamente os modelos Omoda e Jaecoo, da Chery, que utilizam Barcelona como seu principal centro de operações.
No entanto, o elDiario.es observa que outras fabricantes chinesas que chegaram recentemente à Europa — como Changan e Great Wall Motors (GWM) — continuam enviando veículos para o porto catalão.
Transformando-se em enormes pátios de armazenamento
Essa afluência massiva de veículos transformou os portos europeus em vastos pátios de armazenamento para as fabricantes chinesas. Tanto é assim que Barcelona — que em 2025 recebeu 80% dos carros chineses comprados na Espanha e 14% dos adquiridos na Europa — tem um projeto em andamento para ampliar sua capacidade de movimentação de veículos.
A empresa de transporte marítimo NYK está pronta para investir 75 milhões de euros (cerca de R$ 441,6 milhões) em um novo terminal capaz de acomodar 180 mil carros por ano.
O problema é que esses espaços estão operando no limite de sua capacidade porque, como mencionado, os carros não estão saindo no ritmo esperado. Essa é uma situação recorrente nos últimos dois anos. Naquela época, as empresas não dispunham de redes de distribuição para lidar com o volume de carros trazidos para a Europa, mas os problemas agora são outros.
A dificuldade atual é a escassez de caminhoneiros para transportar os carros até seus destinos; além disso, há mais marcas chinesas disputando espaço nos portos europeus, juntamente com um país determinado a exportar o maior número possível de veículos.
O envio para a Europa
Há meses acompanhamos a determinação da China em enviar o maior número possível de carros para o nosso continente. Embora a Europa não seja o único mercado-alvo, o crescimento nas vendas de veículos elétricos — em maio, as vendas de carros elétricos quase igualaram as dos modelos a gasolina — e a ausência de tarifas sobre híbridos plug-in tornam o mercado europeu um destino ideal.
As empresas chinesas enfrentam dificuldades para vender seus carros no mercado interno, mas suas fábricas continuam operando em capacidade máxima. Isso provocou um aumento expressivo nas exportações, resultando em um volume quase 50% maior de veículos elétricos e 100% maior de híbridos plug-in sendo enviados para fora do país em comparação com o ano passado.
O especialista em exportações Brad Setser destaca como as vendas internas caem enquanto as exportações disparam em ritmo acelerado e a produção de automóveis continua a crescer. A China parece determinada a inundar o mercado expandindo suas marcas e enviando quantidades crescentes de modelos, mesmo quando os próprios portos se tornam gargalos logísticos.
A história se repete
A situação enfrentada pelos portos europeus reflete o que está acontecendo em outros mercados. Como já foi noticiado há algumas semanas, o México tentou impor tarifas aos carros chineses. O problema foi que, quando o país tentou cobrar as novas taxas, as fabricantes chinesas já haviam desembarcado milhares de veículos e os deixado prontos para distribuição.
Essa estratégia vem acompanhada da ofensiva da China em direção ao chamado Sul Global. Lá, as fabricantes chinesas estão superando o Japão como principais fornecedoras, exportando volumes crescentes de carros a preços atraentes para regiões ao sul da Linha do Equador — para onde já enviam mais veículos do que para a Europa e os Estados Unidos somados.
Imagem de capa | Omoda e BYD
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