O segredo de dois milênios escondido sob a água; os registros do navio romano de 21 metros que pescadores acharam por acaso na Sicília

Encontrada a 46 metros de profundidade, a embarcação estava cercada por centenas de âncoras que podem revelar detalhes das antigas rotas comerciais do Mediterrâneo

Naufrago
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Natália P. Martins

Redatora

Um mergulho que começou com a suspeita de ter encontrado apenas uma grande rocha terminou com uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais importantes dos últimos anos na Itália. Mergulhadores localizaram, na costa da Sicília, os restos de um navio romano com pelo menos 2.100 anos, cercado por centenas de ânforas que podem ajudar a revelar como funcionavam as antigas rotas comerciais do Mediterrâneo.

Navio foi encontrado depois de dois milênios

O naufrágio foi encontrado a aproximadamente três milhas náuticas da costa de Mazara del Vallo, no oeste da Sicília, a cerca de 46 metros de profundidade. As primeiras análises indicam que a embarcação provavelmente naufragou entre os séculos 2 e 1 a.C.

O tamanho estimado do navio também impressiona: são cerca de 21 metros de comprimento por seis metros de largura.

A descoberta começou com informações fornecidas por locais. Entre eles, estava o pescador e mergulhador Giacomo De Mola, que descreveu o momento em que percebeu que havia algo muito maior do que uma formação rochosa no fundo do mar.

A visibilidade durante o mergulho não era boa. De Mola contou que inicialmente viu apenas uma grande massa escura e imaginou que fosse uma rocha. Ao se aproximar, porém, percebeu centenas de objetos de cerâmica espalhados pelo fundo.

A descoberta revelou os restos de uma antiga embarcação que permaneceu preservada sob as águas do Mediterrâneo por mais de 2.000 anos.

"É a descoberta mais incrível da minha vida", afirmou o mergulhador ao relatar o achado.

Centenas de ânforas revelam o que o navio transportava

Centenas de âncoras foram encontradas entre os vestígios. Além delas, grandes recipientes de cerâmica utilizados na Antiguidade para transportar diferentes produtos, incluindo vinho.

Análises identificaram ânforas do tipo Lamboglia 2, provavelmente originárias do Norte da África, além de uma peça classificada como neopúnica. 

Também há referências a ânforas do tipo Dressel 1A, recipientes altos e cilíndricos associados ao transporte de vinho.

Naufrago2 Foto: Reprodução/Arma dei Carabineri

A combinação desses objetos fornece pistas sobre o tipo de carga transportada e, principalmente, sobre as conexões comerciais existentes no Mediterrâneo há mais de dois mil anos.

Naufrágio pode ajudar a desvendar a história das rotas comerciais

Para os pesquisadores, a descoberta de um navio carregado de recipientes de diferentes origens funciona praticamente como um registro arqueológico das viagens realizadas naquela época. 

A procedência das ânforas pode ajudar os especialistas a reconstruir por onde a embarcação passou, quais regiões estavam conectadas comercialmente e que produtos circulavam pelo Mediterrâneo.

Governo italiano considera descoberta excepcional

A unidade de proteção do patrimônio cultural da polícia italiana classificou o local como um importante sítio arqueológico subaquático. O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, afirmou que se trata de uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais importantes dos últimos anos.

A Superintendência do Mar do governo regional da Sicília será responsável por continuar os trabalhos de pesquisa, documentação e monitoramento do sítio arqueológico. A expectativa é que novas análises revelem mais informações sobre a embarcação, sua carga e as circunstâncias que levaram ao naufrágio.

Como resumiu Giuli, o mar ainda guarda fragmentos capazes de contar a história dos povos, das rotas e das trocas que transformaram o Mediterrâneo em um ponto de encontro entre diferentes civilizações.


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