2,8 milhões de toneladas anuais: empresas anunciam projeto para extrair gás natural no Chipre

Campo de Cronos é o primeiro projeto de hidrocarbonetos de país e pretende situar o Chipre como o próximo produtor e exportador de gás da Europa

Gás natural
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A costa do Chipre conta com uma jazida de gás situada em águas profundas que, há algum tempo, vem passando por incertezas sobre quem poderia explorá-la. Após muita discussão, as empresas de energia Eni e TotalEnergies receberam aprovação para investir em Cronos, o primeiro projeto de hidrocarbonetos da história do país e um empreendimento de especial importância, já que, se for concretizado, colocaria o Mediterrâneo Oriental como um novo eixo energético para a Europa.

Cronos é um campo de gás natural descoberto em 2022 e localizado a cerca de 185 quilômetros a sudoeste de Chipre, no chamado Bloco 6. A Eni opera o projeto com uma participação de 50%, enquanto a outra metade pertence à TotalEnergies. As duas empresas confirmaram agora a aprovação definitiva do investimento. A jazida armazena quase 85 bilhões de metros cúbicos de gás e a ideia é extraí-lo por meio de quatro poços submarinos.

Até agora, o Chipre não contava com nenhum projeto próprio de extração de hidrocarbonetos. Cronos muda essa situação e coloca a ilha como futuro produtor e exportador de gás dentro da União Europeia. Para o continente, a notícia também representa uma via adicional para não depender tanto do gás da Rússia.

O Chipre não conta com instalações para liquefazer gás e construí-las do zero iria levar anos de espera e custar bilhões de euros adicionais. Por isso, Eni e TotalEnergies desenvolveram um modelo no qual o gás será transportado por um gasoduto submarino até as infraestruturas que a Eni já possui no Egito, mais precisamente até o campo de Zohr, onde será processado.

De lá, será transportado até a planta de liquefação de Damietta, na costa norte do Egito, para se transformar em GNL e seguir principalmente para os mercados europeus.

Planos para o futuro

A expectativa é que a produção atinja um pico de cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás por dia, o equivalente a aproximadamente 2,8 milhões de toneladas anuais de gás natural liquefeito. Esse volume será dividido igualmente entre as duas empresas. A primeira extração está prevista para 2028 e o custo do projeto ficaria entre 2,5 bilhões e 3 bilhões de dólares, segundo a revista ENR.

O CEO da Eni, Claudio Descalzi, afirma que a iniciativa “marca um marco concreto no posicionamento de Chipre como produtor e exportador de gás europeu" e que contribui "para a diversificação e a segurança do fornecimento de gás da Europa”.

Por sua vez, o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destaca que Cronos “apoiará o desenvolvimento de um novo hub regional de gás no Mediterrâneo Oriental” e ressalta que o projeto está alinhado à estratégia do grupo de priorizar iniciativas de baixo custo e baixas emissões.

Eni e TotalEnergies já compartilham outros três blocos diante da costa de Chipre. As duas empresas preveem novas campanhas de exploração, portanto Cronos pode ser apenas o primeiro de vários projetos. A isso se soma o fato de que a empresa Chevron trabalha em um plano semelhante para o campo de Afrodite, situado na fronteira de Chipre com Israel e cuja decisão final de investimento poderia ser tomada antes do fim do ano, segundo a ENR.

Por outro lado, ExxonMobil e QatarEnergy avançam paralelamente no desenvolvimento dos campos Glaucus e Pegasus, seguindo o mesmo modelo de apoio nas infraestruturas que possuem no Egito, segundo o site Energies Media. No que diz respeito a Cronos, parece que teremos de esperar até 2028 para saber se o projeto finalmente será concretizado.

Imagem | Egypt Oil & Gas Group

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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