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Segredo da China no seu quintal: cientistas revelam que seu solo pode esconder uma fortuna em terras raras e este líquen laranja é a grande pista

Um organismo que parece apenas uma mancha sobre as pedras pode ajudar a indicar onde estão escondidos minerais valiosos

Liquen Xanthoria Elegans
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O seu quintal pode esconder um tesouro que nem sempre é fácil de encontrar: terras raras. Cientistas chineses descobriram que um pequeno líquen de coloração amarelo-alaranjada pode funcionar como uma “pista” para localizar rochas associadas a depósitos desses elementos. A descoberta foi feita a partir de observações na região de Bayan Obo, na Mongólia Interior, China, e pode ajudar a tornar a busca por novas reservas minerais mais rápida e barata.

O estudo, chamado Lichen as a Potential Exploration Tool for Rare Earth Element-Enriched Carbonatites, foi publicado no dia 27 de julho de 2026 na revista científica Economic Geology. Os pesquisadores analisaram o comportamento do líquen Xanthoria elegans e descobriram uma forte associação entre sua presença e carbonatitos enriquecidos com elementos de terras raras.

Cientistas encontram no líquen laranja uma pista natural para localizar depósitos de terras raras

Se encontrar uma mancha laranja crescendo sobre uma pedra, talvez valha a pena olhar duas vezes. O Xanthoria elegans pode parecer apenas mais um líquen, mas sua presença está ligada a rochas que concentram terras raras, segundo os pesquisadores. Na área estudada em Bayan Obo, o líquen foi encontrado em 57 das 67 rochas carbonatíticas mapeadas. Em contrapartida, a presença foi pouca em rochas como granito, arenito e quartzito, nas quais a probabilidade de ocorrência normalmente ficou abaixo de 1%.

A equipe também analisou a composição química do organismo e encontrou concentrações de elementos de terras raras entre 3.500 e 17.000 partes por milhão. O que os pesquisadores perceberam é que quanto mais terras raras havia na rocha, maior também era a quantidade desses elementos encontrada no líquen que crescia sobre ela. Ou seja, o organismo parece refletir a composição mineral do terreno onde está.

Isso não significa que o organismo esteja literalmente procurando terras raras. Os cientistas ainda não sabem exatamente quais processos biológicos e geoquímicos explicam essa relação entre eles. Mas a hipótese levantada é que pequenas partículas da rocha sejam incorporadas ao líquen durante o intemperismo, processo natural de desgaste e decomposição das rochas, além das interações entre o organismo e a superfície mineral.  Os pesquisadores também encontraram pequenas estruturas enriquecidas em terras raras e bário dentro do material orgânico do organismo, reforçando a ligação entre o líquen e a composição mineral do terreno.

Uma pista natural que pode ajudar a encontrar novos depósitos pelo mundo

Xanthoria elegans O Xanthoria elegans é um líquen de coloração amarelo-alaranjada que cresce sobre rochas associadas a depósitos de terras raras

O que torna a descoberta especialmente interessante é a possibilidade do líquen funcionar  como uma pista natural para orientar a exploração mineral. Dessa forma, ao invés de procurar depósitos de terras raras aleatoriamente, equipes poderiam primeiro identificar áreas onde o Xanthoria elegans aparece para concentrar as análises geológicas nos locais mais promissores.

O plano pode dar ainda mais certo com o uso de tecnologia. Segundo os pesquisadores, imagens obtidas por drones e sistemas de sensoriamento remoto hiperespectral poderiam ajudar a localizar grandes áreas marcadas pela presença do líquen. Isso permitiria aos pesquisadores filtrar grandes extensões de terreno e concentrar os esforços de exploração em pontos mais promissores. A ideia é particularmente relevante porque as terras raras são um grupo de elementos importantes para diversas tecnologias, como motores de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e sistemas de defesa, e encontrar novas reservas é uma tarefa difícil. O estudo indica que o Xanthoria elegan, um organismo simples e facilmente visível, pode oferecer uma nova pista para essa busca. 

Os pesquisadores ainda precisam realizar estudos em diferentes ambientes geológicos para descobrir se o mesmo padrão se repete em outras partes do mundo, mas há sinais iniciais de que isso pode acontecer. Após a publicação do estudo, pesquisadores que trabalham a mais de 5.000 metros de altitude nas montanhas Kunlun Ocidental, no sudoeste de Xinjiang, na China, relataram uma associação semelhante com o mesmo líquen.

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