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Nem mísseis milionários, nem caças: a startup americana que fabrica armas de baixo custo para mudar as regras da guerra contra o Irã

A startup americana encontrou uma forma de produzir interceptores mais baratos e colocá-los rapidamente onde a guerra acontece

Interceptor De Drone Guardian
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Dizem por aí que bons empresários avaliam as necessidades do mercado para pautar suas ideias e encontrar oportunidades de negócio. Os Estados Unidos são mestres em identificar falhas e transformar problemas em soluções e, em meio à guerra contra o Irã, uma startup americana encontrou uma oportunidade em uma das maiores dificuldades do conflito: o alto custo para derrubar drones.

A Powerus, empresa sediada na Flórida, está produzindo interceptores de baixo custo para atingir drones iranianos e também expandindo sua fabricação para fora dos Estados Unidos. Os interceptores estão sendo montados nos Emirados Árabes Unidos a um ritmo de cerca de 30 unidades por dia, enquanto a companhia pretende ampliar sua produção global de aproximadamente 3.000 para 15 mil unidades mensais até meados de 2027.

A empresa também está mudando a forma de fabricar os interceptores. Ao invés de concentrar toda a produção nos Estados Unidos e depois enviar as armas para outros países, a Powerus aposta em uma rede de fabricantes parceiros instalada perto dos locais onde os equipamentos serão utilizados. O modelo permite aproveitar estruturas industriais que já existem e acelerar a entrega em regiões que precisam reforçar a proteção de suas infraestruturas críticas.

Powerus aposta em interceptores de US$ 5 mil para enfrentar drones iranianos

O Guardian, o interceptor de drones desenvolvido pela Powerus, foi criado para atacar um problema cada vez mais evidente na guerra de drones: o custo da defesa. Ele foi desenvolvido para atingir drones de médio porte sem depender de sistemas que custam milhões de dólares por disparo. Cada unidade custa cerca de US$5 mil e tem como base uma tecnologia ucraniana que apresentou resultados contra os drones russos Shahed, semelhantes aos utilizados pelo Irã.

Apesar de lembrar um pequeno míssil, o Guardian foi projetado para ser mais simples de produzir. Seus componentes podem ser encaixados durante a montagem e incluem microchips e módulos de localização GPS. O interceptor consegue atingir alvos a velocidades de até 320 km/h, mas tem uma limitação importante: não foi desenvolvido para enfrentar mísseis balísticos.

guardian O Guardian foi desenvolvido para interceptar drones de médio porte e não possui capacidade para conter mísseis balísticos, uma ameaça mais rápida e complexa que exige sistemas de defesa especializados

Isso significa que o Guardian não substitui sistemas de defesa aérea mais modernos, como o PAC-3, da Lockheed Martin, um interceptor projetado para destruir mísseis balísticos antes que eles atinjam seus alvos. Enquanto o Guardian foi desenvolvido principalmente para lidar com drones de médio porte, o PAC-3 é utilizado contra ameaças muito mais rápidas e complexas. A diferença de preço, porém, ajuda a explicar o interesse pelo equipamento. Enquanto um PAC-3 custa milhões de dólares, o Guardian é mais barato.

O problema ficou especialmente evidente nos Emirados Árabes Unidos. O país vinha utilizando interceptores PAC-3, de milhões de dólares, para destruir drones Shahed avaliados em cerca de US$40 mil. Em um conflito marcado pelo lançamento frequente de drones, manter essa proporção de custo é bem difícil de sustentar.

A Powerus já começou a produzir os interceptores na região. A empresa fornece ao fabricante contratado os componentes, o software e o treinamento necessários para a montagem. A unidade nos Emirados é operada por trabalhadores, em sua maioria filipinos e chineses, e deve aumentar a produção de 30 para 100 interceptores por dia.

Ao mesmo tempo, a companhia anunciou um contrato comercial de aproximadamente US$22,3 milhões para fornecer um sistema em rede de combate a drones voltado à proteção de instalações de petróleo e gás no Oriente Médio. A ideia é reunir recursos de comando e controle para detectar, rastrear, classificar e emitir alertas sobre possíveis ameaças aéreas.

Fábricas espalhadas pelo mundo são a nova aposta da empresa para acelerar a produção

A Powerus também está tentando mudar o caminho tradicional seguido pela indústria de defesa. A empresa quer montar as armas mais perto dos locais onde serão necessárias, usando fábricas e parceiros locais para acelerar a produção e a entrega. O principal plano da Powerus é estabelecer uma rede internacional de fabricantes parceiros. Além da unidade nos Emirados Árabes Unidos, a companhia firmou uma parceria com uma empresa de defesa próxima a Mumbai, na Índia, para produzir os interceptores no país. A meta é chegar a 15 mil unidades por mês até 2027. Para isso, a empresa aposta em fábricas que já existem, evitando o tempo e o investimento necessários para construir novas instalações e depois transportar as armas para outros continentes.

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