Região espanhola parece promissora para mineração de terras raras, mas fenômeno pode não dar em nada

O que de fato impulsiona a mineração moderna não é o minério, mas o ciclo de notícias

Terras raras
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Em Aldeaquemada, na Espanha, uma empresa australiana acabou de extrair um testemunho de sondagem e anunciar que se trata de “uma área de alta qualidade” para minerar terras raras.

A empresa em questão é a Osmond Resources. No furo SOR-08, a empresa encontrou mais mineral do que o previsto ao norte da província. Trata-se de um projeto que cobre 756 unidades mineiras entre Aldeaquemada e Santisteban del Puerto e busca “titânio, zircônio, háfnio e terras raras” presos em quartzitos que, há centenas de milhões de anos, eram areia de praia.

O anúncio tem uma pegadinha, no entanto. O que foi divulgado é uma confirmação “durante” a perfuração. As análises de laboratório (as que realmente importam) levarão semanas. Mas, na prática, isso nem é o ponto central. Basta uma rápida busca na internet para confirmar que toda a região de Jaén está sendo perfurada com entusiasmo há meses.

E de onde vem todo esse entusiasmo? Em princípio, de três fatores relativamente independentes. O primeiro é geopolítico: em 2024, a União Europeia acelerou a estratégia de “soberania mineral” e aprovou um regulamento de matérias-primas críticas. A ideia era garantir que a extração, o processamento e a reciclagem de matérias-primas estratégicas realizados na Europa cubram, respectivamente, 10%, 40% e 25% da demanda da UE.

Um projeto como o Orion, voltado para terras raras, é o tipo de iniciativa que, na Europa, soa como algo promissor.

Há apenas alguns meses, o governo espanhol aprovou um plano de matérias-primas de 414 milhões de euros que inclui a maior campanha de prospecção mineral na Espanha em mais de meio século. Nele, a Sara Aagesen afirmou que “com toda certeza” surgirão terras raras no país. Esse é o segundo fator.

O terceiro é que empresas como a Osmond Resources vivem dos depósitos, mas, sobretudo, vivem do ciclo de notícias. No fim das contas, sua capitalização de mercado depende mais da “batalha midiática” do que dos resultados finais. Em um terreno tão complexo quanto a mineração, o fracasso é quase dado como certo.

E por que isso importa? Porque, por trás de todo esse ruído, há um conjunto de pequenos municípios envelhecidos aos quais se vende um novo futuro. O prefeito de Aldeaquemada não demorou a celebrar os resultados da Osmond como uma forma de “gerar emprego e riqueza”.

Mas a realidade é que a maioria dos projetos de exploração nunca chega de fato à produção. A transição energética serviu de justificativa para voltar a olhar para o subsolo, mas o setor mudou tanto que, para a imensa maioria dos atores, começa a ser mais útil a expectativa do que a realidade. E isso, na Espanha esvaziada, é um problema existencial.

Imagem | Shane Mclendon

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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