Tendências do dia

Bombas, navios da Segunda Guerra e até ossos de mamute: Rio Danúbio seca a níveis recordes e revela tesouros antes escondidos

Na Sérvia, a diminuição da vazão voltou a deixar à vista os restos dos 200 navios que a Kriegsmarine alemã afundou deliberadamente em 1944

Rio Danúbio
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2312 publicaciones de Victor Bianchin

Não é nenhuma surpresa que os rios europeus tenham menos vazão no verão do Hemisfério Norte, que é mais seco. Mas o que vem acontecendo é histórico: o caudaloso Danúbio, que passa por 10 países, está batendo recordes em 2026, como confirmam as imagens de satélite feitas pelo Copernicus em seu trecho ao norte de Budapeste, com bancos de areia visíveis e uma paisagem muito mais seca que a do ano anterior.

Perto de Prahovo, na Sérvia, a diminuição da vazão voltou a deixar à vista os restos dos 200 navios que a Kriegsmarine alemã afundou deliberadamente em 1944, durante sua retirada diante do avanço do Exército Vermelho. Antes que suas embarcações e suprimentos caíssem nas mãos do inimigo, os nazistas afundaram os navios para bloquear o avanço soviético.

Oito décadas depois, esses cascos afundados são uma dor de cabeça para a navegação nessa região, especialmente quando o nível da água baixa. Segundo o site Popular Science, eles custam à Sérvia aproximadamente 5,75 milhões de dólares por ano devido à interrupção do comércio e do transporte. Desde 2024, a Sérvia e o Banco Europeu de Investimento executam uma operação para retirar 21 desses navios, mas é complicado: há munições não detonadas que podem explodir. Pelo menos dois navios foram deixados enterrados no leito do rio.

Na margem búlgara, um grupo de moradores encontrou por acaso uma mandíbula, duas presas e outros restos ósseos de um mamute-lanoso (Mammuthus primigenius) e uma equipe de especialistas do museu regional os recolheu e identificou no dia seguinte. Ao que parece, tratava-se de um animal jovem e a cor escura dos ossos pode indicar que ele viveu em um ambiente pantanoso.

Esse tipo de mamute habitava a Europa, o norte da Ásia e a América do Norte durante o Pleistoceno, chegou a conviver com os primeiros seres humanos e foi extinto quando o aquecimento posterior à última glaciação reduziu seu habitat, cerca de 10 mil anos atrás. Nikolay Nenov, diretor do Museu Regional de História próximo ao local, declarou à Reuters que "Eu não classificaria [a descoberta] como sensacional, mas qualquer achado de restos tão antigos é muito importante para a ciência".

Em Budapeste, a redução da vazão deixou à mostra uma bomba da Segunda Guerra Mundial, o que obrigou as autoridades a fechar a Ponte Margarida para realizar os trabalhos de desativação.

Os navios nazistas não foram os únicos a aparecer com a seca do caudaloso rio do centro da Europa: também surgiu um navio cargueiro na localidade croata de Opatovac, provavelmente afundado em 1937. 

Imagem | CGTN YouTube e Deustche Welle

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio