Guerra contra roedores? Drones entram em ação para combater ratos invasores nas Ilhas Marquesas

Operação usa drones lançados de barcos para espalhar iscas em áreas inacessíveis e tentar conter o avanço de roedores que ameaçam reprodução de aves marinhas

Baudouin des Monstiers, gerente de projetos da Island Conservation, em um barco. Crédito da imagem: Island Conservation / Envico Technologies, divulgação.
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Os drones estão fazendo um grande estrago no conflito entre Ucrânia e Rússia, arremessando bombas, identificando alvos e fornecendo localização em tempo real. Agora, essa tecnologia foi parar em um outro tipo de guerra, mas dessa vez, contra um inimigo que você nem imagina: os ratos. Em Ua Pou, uma ilha vulcânica nas Ilhas Marquesas, drones passaram a ser usados para combater ratos invasores que ameaçam ecossistemas marinhos.

Os drones são usados para espalhar isca em áreas inacessíveis da ilha, mas o que mais chama atenção é a logística da operação. Os equipamentos decolam a partir de um barco, com voos coordenados por um centro de comando móvel instalado em uma balsa, onde equipes técnicas acompanham a distribuição da isca em tempo real. 

A estratégia busca proteger aves marinhas e outras espécies nativas em regiões de difícil acesso, reduzindo a necessidade de intervenção humana direta em regiões instáveis. A operação é liderada pela Island Conservation, organização especializada na erradicação de espécies invasoras em ilhas, e coordenada em campo por Baudouin des Monstiers, gerente de projetos da entidade. 

Drones contra roedores: entenda como funciona a nova estratégia de controle

A operação em Ua Pou representa um avanço tecnológico significativo na forma como ações de conservação são executadas em ilhas isoladas. Isso porque, ao invés de equipes se deslocarem a pé por terrenos íngremes e perigosos para executar ações de proteção à biodiversidade, os drones decolam diretamente de um barco ancorado próximo à ilha.

Essa nova tática, que combina mobilidade e precisão, permitiu que a isca fosse distribuída em pontos estratégicos da ilha, inclusive em áreas onde o desembarque humano é considerado altamente arriscado. Com isso, o equipamento reduz a exposição de equipes a regiões perigosas, além de ampliar a cobertura da operação.

Mas como a ação funciona na prática? Os drones seguem rotas programadas e liberam a isca de forma controlada, alcançando locais considerados inacessíveis. A proposta é justamente chegar onde as pessoas não conseguem,  com mais eficiência e menos risco.

Ratos viraram um problema grave na conservação do ecossistema, mas a solução encontrada divide opiniões

Rato na floresta. Ratos invasores se alimentam de ovos e filhotes de aves marinhas nas ilhas, comprometendo a reprodução de espécies nativas e desequilibrando ecossistemas que levaram milhares de anos para se formar. Créditos: ShutterStock

As ilhas concentram algumas das espécies mais vulneráveis do mundo. Muitas aves marinhas, por exemplo, dependem de ninhos no solo para se reproduzir. O mesmo vale para outras espécies terrestres que habitam a região. Porém, quando ratos e camundongos invasores chegam a esses ambientes, o impacto pode ser muito pior do que você imagina. Isso porque ovos e filhotes viram alvos fáceis, comprometendo a reprodução desses animais de forma rápida e devastadora

Dessa forma, a queda das populações de certas espécies tende a passar despercebido até atingir um ponto crítico, quando as opções de intervenção se tornam mais limitadas e incluem estratégias mais agressivas de controle.

Ainda assim, o uso de drones no lançamento de iscas recebe críticas de especialistas. Isso porque o uso dessas iscas podem afetar espécies que não são o alvo da operação. Além disso, o avanço tecnológico aumenta a pressão por respostas rápidas, mesmo em ecossistemas frágeis, onde um erro pode ter consequências difíceis de reverter.

Apesar disso, a experiência em Ua Pou tende a influenciar outras ações semelhantes ao redor do mundo. Isso porque muitas ilhas enfrentam exatamente o mesmo desafio, e os ratos continuam entre as principais causas de colapso reprodutivo de aves marinhas. Ainda assim, especialistas ressaltam que cada operação exige planejamento rigoroso, monitoramento contínuo e avaliação de riscos, já que o mesmo instrumento capaz de acelerar a recuperação de um ecossistema também pode causar danos difíceis de reverter.

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