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Uma nova teoria para o fim dos neandertais: cientista acredita que, perante o estilo dos sapiens, esses hominídeos se isolaram e sumiram

Os neandertais viveram em uma bolha genética e social durante milênios, sem fluxo gênico entre eles mesmos ou com os sapiens

Neandertais / imagem: 12019
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Uma das perguntas mais antigas e contundentes da paleoantropologia é: como os neandertais desapareceram? Alguns culpados já foram cogitados, como as mudanças climáticas, a menor capacidade cognitiva, as doenças e até mesmo um genocídio violento perpetrado por nós, os Homo sapiens. No entanto, o paleoantropólogo francês Ludovic Slimak agora apresenta outra teoria.

Em seu mais recente livro, O último neandertal, e em declarações recentes, o paleoantropólogo aponta que os neandertais não foram varridos por uma força externa, mas sofreram um colapso interno. Um verdadeiro “suicídio individual e social”, provocado por sua própria rigidez cultural e por sua recusa em se conectar.

Slimak não é um teórico de poltrona, mas alguém que passou décadas escavando na Grotte Mandrin (França), um sítio arqueológico fundamental que revolucionou o que sabemos sobre a transição entre neandertais e humanos modernos. A pedra angular de seu argumento é “Thorin”, um neandertal cujos restos foram analisados em um estudo genômico publicado na Cell Genomics.

Nesse espécime, viu-se que, apesar de ter vivido entre 42.000 e 50.000 anos atrás (relativamente “perto” do fim), a linhagem de Thorin estava geneticamente isolada havia 50.000 anos. Soma-se a isso o fato de que, embora existissem outras populações neandertais a apenas duas semanas de caminhada, elas não se misturaram. Viveram em uma bolha genética e social durante milênios, sem fluxo gênico nem com outros neandertais nem, obviamente, com os sapiens que já circulavam pela região.

Slimak interpreta esse isolamento não como uma impossibilidade física, mas como uma escolha cultural. Os neandertais de Thorin, segundo sua leitura, rejeitaram a interação.

Um choque de valores

Com base nesse isolamento de Thorin e na tecnologia lítica encontrada em Mandrin — ferramentas muito criativas, mas pouco padronizadas —, Slimak traça duas “esferas mentais” opostas. A primeira é o “modelo sapiens”, no qual comunidades amplas e interconectadas faziam com que, se um grupo falhasse, a rede inteira pudesse se sustentar graças à eficiência e à homogeneização.

No outro extremo, temos o “modelo neandertal”, no qual existiam grupos pequenos, independentes e altamente criativos, porém fragmentados. Em poucas palavras, cada clã era um mundo em que não havia interconexão alguma.

A metáfora do “suicídio” se refere a um colapso dos valores dos neandertais. Ao se depararem com a “máquina” social dos sapiens, a cosmovisão neandertal de grupos isolados tornou-se insustentável, já que, segundo Slimak, alguns grupos “decidiram se tornar invisíveis” ou simplesmente sua estrutura social implodiu diante da eficiência das redes humanas.

O consenso científico

Embora a narrativa de Slimak seja literariamente potente, o consenso científico atual prefere explicações menos românticas e mais matemáticas. A maioria dos paleoantropólogos não vê um “suicídio” consciente, mas sim uma desvantagem estrutural.

A literatura recente explica a extinção por meio de uma combinação de fatores, como a demografia. Nesse caso, os modelos de deriva estocástica mostram que, se você tem populações muito pequenas e dispersas (como os neandertais), basta uma desvantagem mínima na taxa de reprodução ou de sobrevivência para que a espécie se extinga em poucos milhares de anos.

Em consonância com os dados de Slimak, diferentes pesquisas aceitam que os sapiens tinham redes sociais mais amplas. Isso pode permitir obter ajuda diante de uma grande crise — como, por exemplo, uma seca local. No caso dos neandertais, por estarem isolados, como demonstra Thorin, eram vulneráveis a qualquer solavanco ecológico.

Além de tudo isso, não podemos nos esquecer da endogamia. Aqui, uma análise genética confirma que a endogamia enfraqueceu os neandertais, reduzindo sua fertilidade e resistência biológica, sem necessidade de invocar fatores psicológicos. Algo que também antecipou seu completo desaparecimento deste planeta.

Imagens | 12019

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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