Aguardada desde a década de 1950, a Ferrovia Transnordestina começou, finalmente, a ganhar forma concreta no Nordeste. Com 1.206 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$14,9 bilhões, a obra já está cerca de 80% concluída, segundo o Ministério dos Transportes. A ferrovia liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, atravessando 53 municípios em três estados. Quase pronto, a previsão atual é que a entrega ocorra até 2027, após atrasos consecutivos ao longo de quase sete décadas.
Obra interrompida por quase 70 anos ganha novo fôlego e avança para se tornar principal corredor de cargas do Nordeste
A Ferrovia Transnordestina é uma obra de longa data: o projeto começou a sair do papel ainda nos anos 50, mas enfrentou décadas de paralisações. A primeira tentativa de implantação começou em 1959, mas acabou sendo interrompida por falta de viabilidade econômica. O projeto foi retomado em 2006, mas só voltou a avançar com força mesmo a partir de 2024.
Hoje, a linha principal soma 1.206 quilômetros, sendo 727 já finalizados, além de ramais secundários. Ao todo, a ferrovia cruza 28 municípios no Ceará, 18 no Piauí e 7 em Pernambuco. A ideia é criar um corredor eficiente para o escoamento de grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minérios produzidos no interior nordestino.
Os testes operacionais já começaram. Em uma das viagens experimentais, quase mil toneladas de sorgo foram transportadas do Piauí ao Ceará em pouco mais de 16 horas. A etapa é considerada fundamental para validar a operação antes da entrega definitiva.
Menos caminhões, mais eficiência: ferrovia deve impactar cerca de 53 municípios
Se sair do papel como planejado, a Transnordestina pode alterar significativamente a logística da região. Isso porque, ao conectar áreas produtoras diretamente ao Porto do Pecém, a ferrovia reduz a dependência do transporte rodoviário, que historicamente é mais caro e mais poluente.
A esperança é que o novo eixo ferroviário não apenas diminua custos de frete, mas também estimule a instalação de terminais, portos secos e novos empreendimentos ao longo do trajeto. A expectativa não é à toa: a experiência histórica mostra que ferrovias costumam induzir desenvolvimento em seu entorno, atraindo investimentos e ampliando a geração de empregos. Além do ganho econômico, há o componente ambiental. O transporte ferroviário emite menos gases poluentes por tonelada transportada, o que pode contribuir para uma logística mais sustentável no Nordeste.
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