Há 40 anos, ele largou seu emprego na IBM para escalar o Everest; hoje, vive em uma cabana construída por ele mesmo a 2.000 metros de altitude

Uma história de vida extraordinária que combina, de forma especial, o amor pela natureza e pela tecnologia

Há 40 anos, ele largou seu emprego na IBM para escalar o Everest. Hoje, vive em uma cabana construída por ele mesmo a 2.000 metros de altitude.
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Fabrício Mainenti

Redator

A tecnologia pode ser uma grande aliada para nos aproximar da natureza. Sim, embora à primeira vista possa parecer uma contradição absoluta, a história do italiano Oreste Forno encarna essa dupla realidade de duas maneiras muito particulares. Em primeiro lugar, porque, graças ao seu trabalho como profissional de TI em uma gigante do setor, a IBM, ele pôde financiar uma longa viagem para escalar o Everest.

E, em segundo lugar, porque, graças às possibilidades oferecidas por plataformas como o YouTube, ele agora pode mostrar sua vida nas montanhas a todos os interessados.

Nascido na localidade italiana de Monastero há 73 anos, sua paixão pela vida ao ar livre começou muito cedo e definiu o rumo de sua vida. É o que ele relata em um documentário sobre sua trajetória:

"Cheguei aqui com outros dois amigos quando saímos para procurar cogumelos e me vi bem em frente ao Monte Disgrazia. Nunca tinha visto uma geleira e fiquei fascinado. Senti uma verdadeira necessidade de subir: como devia ser lindo chegar ao cume".

Naquele instante, ficou claro para ele qual caminho queria seguir. Mas, antes, precisava ganhar dinheiro.

Forno aliou sua vocação a uma formação como técnico em eletrônica, o que o levou a trabalhar por 17 anos na IBM — um trabalho de escritório que, perdoe-me a expressão, ele achava bastante penoso:

"Eu voava de um lado para o outro nos Estados Unidos; tinha meus compromissos, minhas viagens e tudo mais".

Por outro lado, isso lhe proporcionou dinheiro suficiente para embarcar em sua aventura e obter uma licença de seis meses para viajar ao Himalaia. Foi lá, tomando um café às seis da manhã diante de picos de 7.000 metros, que ele decidiu pedir demissão para dar início a sete anos de expedições nas grandes montanhas da Ásia.

Liderou uma expedição ao Everest em 1991, foi chefe de expedição no Makalu em 1993 e escalou, sozinho, o Cho Oyu — uma montanha com mais de 8.000 metros de altitude. No entanto, após vivenciar experiências extremas e ver muitos amigos morrerem, decidiu mudar o rumo de sua vida e afastar-se do alpinismo de grandes altitudes.

Uma cabana em plena montanha e uma vida conectada à natureza

Atualmente, Forno vive a 2.000 metros de altitude, em uma cabana simples que ele mesmo construiu há mais de três décadas. Para ganhar a vida no local, trabalhou por um tempo como guarda de uma represa — uma atividade que, segundo ele, permitiu-lhe uma conexão ainda maior com o ambiente ao seu redor.

"Ser guarda significava mergulhar por completo na natureza. Isso me abriu as portas para o mundo animal: havia camurças, cervos, íbexes e águias. Quando estou com os animais, sinto-me como um deles. Sinto que me reconhecem e me aceitam. É algo maravilhoso; sinto-me em harmonia com eles", explica em um documentário.

E, então, ele reencontrou a tecnologia. Conforme relatam os amigos da GameStar, o italiano criou um canal no YouTube onde compartilha vídeos de suas observações da fauna e das paisagens alpinas a partir de seu refúgio. Para isso, ele utiliza equipamentos de gravação em alta definição e com visão noturna, além de técnicas audiovisuais que lhe permitem captar cenas do mundo animal que, de outra forma, passariam despercebidas.

Seu objetivo vai além de mostrar a beleza das montanhas. Forno quer aproximar a natureza daqueles que não têm a possibilidade de desfrutá-la diretamente e transmitir uma mensagem sobre a importância de respeitar os animais.

"Acredito que, se as pessoas se aproximassem um pouco mais desse mundo, se tornariam melhores, pois é possível aprender muito com os animais. Se os animais matam, é porque precisam comer. Mas os animais não fazem guerra e não precisam de poder".

Texto traduzido e adaptado do portal 3D Juegos

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