Samsung está prestes a perder o trono de maior empresa de tecnologia da Coreia do Sul

A SK Hynix está prestes a completar uma ultrapassagem histórica e superar a Samsung em valor de mercado

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Quando se fala em tecnologia sul-coreana, a empresa que sempre vem à cabeça é a Samsung. A gigante dos semicondutores e dos celulares parecia ser a líder indiscutível de seu país, mas isso está prestes a mudar. A SK Hynix é a nova queridinha da indústria tecnológica sul-coreana — e conseguiu isso impulsionada pela crise da memória.

Desde o ano 2000, a Samsung Electronics mantinha um domínio quase imperial no país asiático e vinha sendo o carro-chefe de sua economia. No entanto, as coisas mudaram porque sua rival de longa data, a SK Hynix, foi uma das grandes beneficiadas pela crise das memórias.

Na última segunda-feira, 22/6, as ações da empresa atingiram seu valor máximo histórico, superando brevemente a Samsung em valor de mercado — um marco colossal que deixa claro o impacto da IA na economia global.

Sk Hynix Imagem: Reuters

Chips de memória, que já eram um bom negócio antes, agora se tornaram o produto tecnológico do momento. No pregão de segunda, porém, a SK Hynix perdeu 12,5% de seu valor, o que fez com que a Samsung (que também sofreu uma queda considerável) recuperasse esse trono em valor de mercado… por enquanto.

A SK Hynix renasce das cinzas

Em 2002, a empresa (então chamada Hynix Semiconductor) estava sufocada por dívidas. Ela havia executado um agressivo plano de expansão que não deu certo e esteve perto de ser vendida a preço de banana para a Micron Technology (a oferta chegou a ser anunciada, inclusive, embora tenha sido rejeitada).

Suas ações, que estrearam na bolsa em 1996 ao preço de 20.000 wons, chegaram a despencar para 135 wons em 2003, o que fez com que fosse vista como uma empresa fadada ao fracasso. Após anos de dificuldades e de sofrer com as cíclicas crises do mercado de memórias RAM, o boom da IA injetou sangue novo na empresa, que se tornou uma das fabricantes de chips mais valiosas do planeta, competindo de igual para igual com a Samsung e a Micron.

O ponto de virada ocorreu após uma decisão estratégica crucial. Em 2023, a indústria de semicondutores vivia uma forte queda nos preços, mas, na SK Hynix, decidiram não apenas manter, mas acelerar seus investimentos em chips de memória de alta largura de banda (High-Bandwidth Memory, ou HBM). Essas memórias são as mais demandadas no segmento de GPUs voltadas para centros de dados e, graças a essa aposta, a SK Hynix conquistou 61% do mercado global de chips HBM, muito acima dos 17% da Samsung.

O presidente do SK Group — controladora da SK Hynix —, Chey Tae-won, explicou como historicamente a memória havia se tornado uma commodity. Tanto fazia comprar um módulo da SK Hynix, da Samsung ou da Micron, porque eram chips quase idênticos e intercambiáveis. Com a tecnologia HBM, a história mudou: trata-se de um componente tão otimizado e integrado aos chips de IA que a dependência da Nvidia em relação a esses chips é enorme.

A Samsung defende sua liderança

A ultrapassagem temporária não caiu bem na Samsung. Seus executivos afirmaram que os cálculos do valor de mercado deveriam incluir as ações preferenciais. Se elas forem consideradas, a capitalização de mercado da Samsung continuaria maior do que a da SK Hynix. A Samsung segue, por ora, na liderança, mas a tendência do mercado parece favorecer a tese de que a SK Hynix acabará se tornando mais valiosa enquanto essa crise das memórias persistir.

O perigo para a Samsung não vem apenas do fato de a SK Hynix ser a líder incontestável em memórias HBM, mas também de seu forte crescimento no segmento de memórias DRAM convencionais. Segundo estimativas do Bank of America, a SK Hynix expandirá sua produção de wafers em 38% entre 2025 e 2028, enquanto a Samsung aumentará a sua em apenas 17%. 

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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