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Em 2012, uma Raspberry Pi custava o mesmo que um videogame. Hoje, a comunidade maker prefere alternativas de 10 dólares

Alternativas como o ESP32 trazem a memória integrada ao próprio chip e escapam da crise de memória RAM

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante anos, a Raspberry Pi foi sinônimo de computação acessível. Suas placas “tudo em um” permitiam montar um computador por menos de R$ 350 na Europa. Era um equipamento simples, mas suficiente para a maioria das aplicações, inclusive programação. Com o lançamento das novas gerações, porém, um fator passou a prejudicar a plataforma: o aumento do preço de componentes como a memória RAM. E isso abriu espaço para que um pequeno chip ganhasse destaque: o ESP32.

Os preços das placas Raspberry Pi  atuais dispararam em pouco mais de um ano. Basta olhar o catálogo para perceber que a principal vantagem da plataforma praticamente desapareceu: uma Raspberry Pi 5 com 8 GB ultrapassa os 180 euros (R$ 1.000), enquanto a versão de 16 GB passa dos 300 euros (R$ 1.800). Por esse valor, já seria possível comprar um computador usado em ótimas condições. O curioso é que a Raspberry Pi nasceu, em 2012, justamente com a proposta de tornar a computação mais acessível: o primeiro modelo custava entre 25 e 35 dólares — o preço de um jogo independente.

A memória ficou sete vezes mais cara

Eben Upton, CEO da Raspberry Pi, explicou a questão no blog oficial da empresa: a memória LPDDR4 usada nas Raspberry Pi 4 e 5 custa hoje sete vezes mais do que custava um ano atrás. O principal responsável é um velho conhecido: a inteligência artificial e a enorme demanda de seus centros de dados. O resultado foi uma sequência de três aumentos no preço da Raspberry Pi 5 de 16 GB em pouco mais de quatro meses: 25 dólares em dezembro de 2025, mais 60 dólares em fevereiro de 2026 e outros 100 dólares em abril.

O aumento no custo da memória RAM obrigou a Raspberry Pi a repassar esse impacto para suas placas. A empresa tentou amenizar a situação promovendo as versões com menor capacidade de memória, de 1 GB e 2 GB, suficientes para projetos domésticos mais simples. Mesmo assim, a concorrência vem ganhando força justamente nesse segmento de entrada.

O que é o ESP32?

Esse chip vem sendo adotado em uma enorme variedade de projetos. Trata-se de um System on a Chip (SoC) desenvolvido pela Espressif, que integra processador, memória SRAM, Wi-Fi, Bluetooth e diversos outros recursos que permitem expandir suas funcionalidades. O ESP32 é vendido em placas prontas para desenvolvimento, inclusive em módulos completos com tela sensível ao toque, entrada para armazenamento e conectores de expansão. A maioria dessas placas custa menos de 10 dólares (R$ 51).

Como o ESP32 não utiliza memória LPDDR, ele não depende do mesmo mercado que fez os preços das Raspberry Pi dispararem — nem do mercado que também afetou a maioria dos dispositivos que usam esse tipo de RAM, como os smartphones. As placas com ESP32 não são apenas mais baratas por exigirem menos componentes e terem um projeto mais simples; elas também permanecem relativamente protegidas dessa crise. Não são totalmente imunes, é verdade, já que alguns modelos utilizam memória externa.

Modulo Módulo ESP32 com tela OLED tátil da Waveshare

O ESP32 não substitui a Raspberry Pi, pois as duas plataformas têm propostas diferentes. Enquanto a Raspberry busca funcionar como um computador completo, o ESP32 é voltado para aplicações mais simples de internet das coisas (IoT). Ainda assim, "simples" é apenas uma forma de definir seu propósito, porque as possibilidades oferecidas pelo ESP32 são enormes. Somado ao preço baixo, isso transformou o SoC em uma verdadeira mina de ouro para a comunidade maker.

Durante uma década, a resposta automática para quem queria "montar um projeto legal" era comprar uma Raspberry Pi, mesmo que a ideia fosse apenas acender uma lâmpada usando um sensor de movimento. Naquela época, exagerar na capacidade saía barato. Agora, não mais. Com o aumento dos preços, a pergunta deixou de ser "qual placa comprar?" e passou a ser "quanta capacidade de processamento eu realmente preciso?".

A resposta mais honesta é que, na maioria dos casos, precisamos de muito menos poder de processamento do que estávamos acostumados a usar. A Raspberry Pi continua imbatível quando o projeto exige um sistema Linux completo. O problema para a Raspberry é que isso raramente é necessário — e os inúmeros projetos baseados em ESP32 demonstram exatamente isso.

Imagem | Espressif

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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