Há várias empresas empenhadas em nos convencer de que vamos precisar de um robô humanoide em casa. Uma delas é a 1X Technologies, cujo robô Neo Home Robot já é vendido ao público por US$ 20 mil. O CEO da empresa, Bernt Bornich, concedeu uma entrevista ao podcast All-In e fez uma série de declarações interessantes sobre o futuro da indústria.
A visão de Bornich para o futuro da robótica não é a de uma evolução lenta. Ele prevê uma "decolagem brusca" e até estabelece um prazo. "Tenho absoluta certeza de que estamos a menos de uma década da decolagem definitiva", embora admita que sua "aposta atual seria de três anos". Com "decolagem definitiva", ele não se refere apenas à existência de robôs mais avançados, mas a um cenário em que teremos "robôs construindo robôs, centros de dados, fábricas de chips, realizando mineração e refino... na prática, uma verdadeira abundância de mão de obra, um sistema autossuficiente".
No mesmo podcast, também foram entrevistados outros líderes da indústria da robótica, como Peter Funkhouser, CEO da ANYbotics, Amanda McMaster, CEO da Boston Dynamics, e Jonathan Hurst, cofundador da Agility Robotics. O discurso deles se concentra no aumento da capacidade da mão de obra humana por meio da automação, permitindo ampliar atividades como inspeções em ambientes perigosos. Nas palavras de McMaster, o objetivo é eliminar os empregos "sujos, entediantes e perigosos".
O objetivo de Bernt Bornich é mais ambicioso: resolver o problema da AGI física para "criar uma abundância de mão de obra em toda a sociedade". Ele não enxerga isso como uma escassez de oportunidades para os seres humanos, mas como a liberação de um recurso praticamente ilimitado de trabalho, capaz de acelerar o desenvolvimento econômico e científico em uma escala sem precedentes.
A 1X é uma das primeiras empresas fora da China a colocar um robô humanoide à venda. Mas há um detalhe importante. Como já vimos anteriormente, o robô não é autônomo: ele é controlado por uma pessoa usando óculos de realidade mista e controles. O entrevistador compara esse modelo ao de um estabelecimento em Nova York que contratou uma atendente filipina, que prestava atendimento aos clientes por meio do Zoom. Bernt Bornich admite que: "Se você quer que tudo funcione perfeitamente desde o primeiro dia, haverá algum nível de operação remota ou de orientação do sistema. Mas estamos entusiasmados com o caminho rumo a uma experiência totalmente autônoma".
A operação remota como ferramenta de treinamento
Para Bornich, a teleoperação do Neo não é apenas uma solução temporária, mas o principal pilar para alcançar a autonomia total por meio do que ele chama de sua "pirâmide de dados". Se o modelo autônomo falha, um operador humano intervém remotamente e gera um conjunto de dados de altíssima qualidade que é colocado no topo da pirâmide para treinar novamente o robô.
Embora esses dados sejam muito valiosos, eles não são suficientes para alcançar o que Bornich chama de "AGI física". Para isso, a 1X Technologies também treina seu modelo com vídeos de pessoas realizando tarefas, tanto em primeira pessoa quanto com vídeos gerais disponíveis na internet.
Embora a meta seja a autonomia total, Bornich acredita que a teleoperação continuará sendo muito útil em determinados cenários e que "nunca desaparecerá". O próprio executivo cita seu caso de uso pessoal, como uma espécie de avatar de si mesmo. Quando está viajando, ele pode controlar o Neo remotamente para estar presente fisicamente em sua empresa e participar de reuniões.
Essa mesma ideia também abre espaço para aplicações industriais, como instalações em locais remotos nas quais, se surgir algum problema, um robô humanoide pode ser controlado à distância para resolvê-lo, em vez de ser necessário enviar um funcionário até o local.
Imagem | Bernt Bornich no X
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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