Especialistas alertam que ler reviews demais sobre compras e viagens está arruinando nossas vidas

A Geração Z recorre a pelo menos uma plataforma de avaliações antes de fazer uma escolha

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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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As críticas de um filme antes de ir ao cinema, as avaliações de clientes antes de visitar um restaurante, as opiniões de outros compradores sobre aquele aspirador de pó que deveria acabar com as faxinas de sábado… você costuma consultá-las antes de fazer uma compra? Ou então resolve procurar o que dizem no Reddit, no YouTube ou em outros sites a respeito de um produto que já está no carrinho? Vivemos soterrados por opiniões e, ainda assim, vivemos constantemente nos perguntando se fizemos a escolha certa.

Após consultar seus usuários, a plataforma de avaliações Yelp publicou recentemente que grupos como a Geração Z recorrem a pelo menos uma plataforma de avaliações antes de decidir em qual restaurante vão comer ou qual academia ou centro de beleza vão frequentar. Eles acreditam que a sabedoria de toda essa multidão, que percorreu esses mesmos caminhos antes deles, será útil. No entanto, segundo especialistas em psicologia, essa falsa sensação de controle acabou criando um problema para a nossa sociedade.

O Paradoxo da Escolha está quebrado

O centro da questão é que o leque de opções de compra já é grande o bastante para nos afogar em dúvidas. Ainda assim, acrescentamos outro leque de possibilidades na forma de opiniões. Mesmo diante de escolhas aparentemente triviais, como decidir entre este ou aquele bar em um lugar desconhecido, consultar essas avaliações acaba reduzindo a satisfação com a decisão tomada.

Vale lembrar que isso não é algo novo surgido com a internet. O mundo do marketing estuda esse fenômeno desde que o Paradoxo da Escolha ganhou notoriedade, por volta do ano 2000, com o experimento das geleias. O estudo mostrou que, diante de uma prateleira com seis tipos diferentes de geléia, cerca de 30% dos clientes efetuaram uma compra. Já diante de outra com 24 variedades, muito mais pessoas se aproximavam para olhar, mas apenas 3% acabavam comprando.

É verdade que o experimento foi replicado outras vezes, levantando sérias dúvidas sobre a própria ideia de sobrecarga de escolhas. Ainda assim, não é preciso ser nenhum gênio para entender o que ele significa. Basta pensar naquelas noites diante da seleção interminável da Netflix para perceber, na prática, que um excesso de opções acaba nos bloqueando mentalmente, mesmo que, em teoria, isso pareça algo melhor.

Além disso, há outro fenômeno parecido que não ajuda em nada: o quanto gostamos de criticar e como temos enorme dificuldade em elogiar um trabalho bem feito. É comum que quem sai satisfeito de uma experiência — seja em um restaurante ou após comprar o aspirador citado anteriormente — simplesmente fique com a sensação de que fez uma boa escolha e siga em frente.

O que os especialistas chamam de distribuição em J afirma que, embora os consumidores mais entusiasmados também deem cinco estrelas, são as outras avaliações que acabam tendo mais peso quando as lemos. As do cliente indignado, que corre para a plataforma da vez para dizer o quanto odiou isso ou aquilo, são as que mais influenciam nossa percepção. E, caso alguém ainda não tenha percebido, esse tipo de pessoa existe aos montes, o que nos leva ao próximo problema.

Como se o problema já não fosse grande o bastante

Se hoje você recorrer ao Google em busca de avaliações e opiniões, o mais provável é que não encontre um profissional contando o quanto gostou de um videogame, mas sim uma IA encarregada de reunir o maior número possível de opiniões para tentar montar o coquetel perfeito. Se não existe Paradoxo da Escolha, então não existe problema, certo? Algo como "acabando com a causa, acaba-se o efeito". Pois não é bem assim.

O que essa lógica faz é reunir aquela multidão de indignados que muitas vezes confunde a timidez de um garçom com falta de educação, ou a personalidade reservada de um lojista que talvez venda os melhores produtos da região, mas que simplesmente não nasceu com o dom do carisma. É como um carro-vassoura que vai empurrando para a frente as opiniões da pior qualidade, enquanto deixa para trás o que realmente importa: o contexto de cada uma delas.

O fato de a inteligência artificial tratar todas as avaliações da mesma forma também não ajuda. E isso não apenas porque o mercado clandestino de avaliações falsas é uma realidade à qual raramente damos a devida importância, mas também porque, nessa dualidade entre reunir opiniões sobre um aspirador de pó e sobre um restaurante, o menor dos problemas não é o fato de existirem apenas avaliações de entusiastas ou de haters.

No caso do aspirador de pó, não há muito o que discutir: ou ele aspira bem ou não. Já em relação a um restaurante, o número de variáveis envolvidas é tão grande que esse tipo de resumo acaba prestando um desserviço. O fato de já ter sido demonstrado que a IA pode influenciar a intenção de compra de produtos eletrônicos, mas não altera praticamente em nada as decisões relacionadas a experiências, como restaurantes e hotéis, deixa isso bastante claro. Sem percebermos, vamos acrescentando cada vez mais camadas a um problema considerável que já existia antes.

Imagem | Maquechoux no Midjourney

Este texto foi traduzido/adaptado do site 3DJuegos.


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