Efeito colateral da IA pode ser contornado: este chip pode reduzir gasto energético da tecnologia em até 70%

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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A inteligência artificial é, sem dúvida, uma das ferramentas mais poderosas da atualidade, mas ela carrega um custo oculto que preocupa especialistas: o consumo massivo de energia. Atualmente, os chips convencionais gastam grande parte de sua eletricidade apenas movendo dados entre as unidades de memória e de processamento. No entanto, uma equipe da Universidade de Cambridge parece ter encontrado uma solução inspirada na biologia para resolver esse gargalo.

Os pesquisadores desenvolveram um novo dispositivo nanoeletrônico, baseado em uma forma modificada de óxido de háfnio, que funciona de maneira muito semelhante aos neurônios humanos. 

Batizado de "memristor", o componente consegue processar e armazenar informações ao mesmo tempo, eliminando o vaivém de dados que drena a bateria dos sistemas atuais. De acordo com o estudo publicado na Science Advances (link no primeiro parágrafo), essa tecnologia tem o potencial de reduzir o consumo energético da IA em até 70%.

Estabilidade e eficiência microscópica

O grande diferencial do chip de Cambridge em relação a outros modelos experimentais é a sua previsibilidade. Enquanto a maioria dos memristores depende da formação de filamentos metálicos que se comportam de forma aleatória, os cientistas britânicos criaram uma espécie de "portão eletrônico" controlado entre camadas de filmes finos. Isso permite que o dispositivo funcione com correntes um milhão de vezes menores do que as dos modelos tradicionais de óxido, mantendo uma estabilidade impressionante através de milhares de ciclos de uso.

Além de poupar energia, o novo hardware demonstrou capacidades de aprendizado biológico, como a plasticidade sináptica. Isso significa que o chip não apenas armazena bits, mas consegue "aprender" e adaptar suas conexões com base no tempo e na frequência dos sinais, exatamente como o cérebro faz quando estamos memorizando algo novo.

O processo de fabricação atual requer temperaturas de 700°C, o que é alto demais para os padrões da indústria de semicondutores. A equipe agora trabalha para reduzir esse calor e tornar a produção compatível com as fábricas de chips já existentes. 

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