"Compramos qualquer coisa": lojas no Japão estão tão desesperadas por componentes de PC que aceitam qualquer coisa

Outro exemplo de como a escassez de memória está pressionando todo o mercado de hardware

Hardware usado ganha valor em contexto de aumento de preços

Imagem | Unsplash
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1538 publicaciones de PH Mota

Montar um computador hoje é mais complicado e mais caro do que era há alguns meses. Não se trata apenas da escassez de alguns componentes, mas de uma mudança no equilíbrio do mercado, que afeta diretamente disponibilidade e preços dos produtos. A memória é um dos melhores exemplos dessa pressão, e o que está acontecendo começa a gerar um efeito cascata. O que parecia ser um problema limitado a certos perfis de usuários está se alastrando e não pode mais ser considerado um incidente isolado.

Cenário surpreendente

Em Akihabara, um dos principais centros de eletrônicos e informática de Tóquio, uma loja decidiu fazer algo inusitado: pedir aos seus clientes que vendessem seus computadores usados. A Sofmap Gaming publicou uma mensagem em sua conta no X reconhecendo abertamente a situação: "Computadores para jogos, mesmo os de segunda mão, estão realmente em falta no momento."

Em seguida, fizeram um pedido direto: "Por favor, se você for comprar um novo, venda-nos o seu computador para jogos..." A cena foi completada com prateleiras praticamente vazias e outro detalhe revelador: a própria loja afirmou que está comprando de volta por um preço alto e que compra praticamente qualquer computador, para jogos ou não.

X

Não é um caso isolado

Estamos testemunhando a consequência visível de uma tensão que vem se acumulando no mercado de hardware há algum tempo. Inicialmente, afetou aqueles que montavam seus próprios sistemas, enfrentando dificuldades crescentes para encontrar ou adquirir componentes específicos. Em seguida, começou a afetar fabricantes e montadores, que tiveram que ajustar configurações e depender do estoque existente para dar conta da demanda. Agora, essa pressão finalmente chegou ao ponto de venda, onde não se trata apenas de vender, mas também de obter o produto.

O que está por trás da escassez?

Para entender o que estamos vendo, precisamos observar uma clara mudança nas prioridades do setor. A explosão da IA ​​impulsionou a demanda por memória para chips e sistemas projetados para esse fim, especialmente em ambientes de data center, e isso está alterando a distribuição da produção. Parte do problema se origina na memória mais avançada usada para IA, mas seu impacto acaba se estendendo ao restante do mercado. A Micron resumiu a situação desta forma em um comunicado à CNBC: “Observamos um aumento muito forte e significativo na demanda por memória, que ultrapassou em muito nossa capacidade de fornecimento.”

Consequências

A pressão sobre a memória acaba se refletindo nos dispositivos que compramos, seja na forma de preços mais altos ou configurações menos ambiciosas. Como já dissemos, isso já impactou a indústria de computadores, mas também ameaça os setores de smartphones e consoles. Por exemplo, a Sony anunciou recentemente um aumento no preço do PlayStation 5, e tudo indica que os carros também não escaparão dessa crise.

Hardware antigo ganhando valor

Nesse contexto, o que considerávamos hardware antigo até recentemente está começando a ter um valor diferente. Não porque seu desempenho tenha mudado, mas porque o mercado ao redor mudou. O que vimos em Akihabara não é um caso isolado, mas um sinal de como a disponibilidade se tornou um problema real. Quando uma loja pede aos seus clientes que vendam seus próprios equipamentos, isso indica que algo está errado na cadeia de suprimentos usual.

Imagens | Unsplash

Inicio