Como já não pode ser nem a maior e nem a melhor, OpenAI define nova prioridade: ter a IA mais rápida

O megacontrato de 10 bilhões de dólares com a Cerebras responde a uma estratégia defensiva

OpenAI firma acordo com Cerebras / Imagem: Divulgação
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A OpenAI firmou um acordo com valor estimado superior a 10 bilhões de dólares com a Cerebras Systems, uma startup que projeta chips avançados de IA dedicados a uma única coisa: executar modelos de IA o mais rápido possível. Trata-se de uma aliança singular não apenas por essa mudança de foco, mas também porque há um conflito de interesses.

A empresa liderada por Sam Altman se comprometeu a comprar 750 MW de capacidade de computação da Cerebras ao longo dos próximos três anos. Fontes citadas pelo The Wall Street Journal indicam que essa aliança tem um valor estimado acima de 10 bilhões de dólares. Estamos, portanto, diante de uma operação extraordinária em dimensão, mas peculiar tanto pela forma quanto pelo conteúdo.

A Cerebras, com sede em Sunnyvale, Califórnia, foi fundada em 2015 por ex-engenheiros da SeaMicro e adquirida em 2012 pela AMD. A startup projeta chips de inteligência artificial especificamente voltados para a etapa de inferência de modelos de IA, ou seja, para executá-los.

Quando usamos o ChatGPT ou qualquer modelo de IA, o que estamos vendo é um modelo de IA em uso de inferência. Alguns “escrevem” mais rápido que outros, e essa velocidade de exibição do texto nas respostas é medida em tokens por segundo. Normalmente, os chips da NVIDIA são excelentes para a fase de treinamento, mas não tanto para a de inferência. Já os chips de empresas como a Cerebras — ou os da conhecida Groq, que acaba de ser “comprada” pela NVIDIA — são projetados justamente para executar esses modelos em altíssima velocidade e alcançar taxas muito elevadas de tokens por segundo.

A IA já é boa. Agora, quer ser rápida

A recente “compra” da Groq pela NVIDIA deixou claro que a empresa de Jensen Huang deseja ter a capacidade de oferecer esses chips de inferência ultrarrápida — agora, a OpenAI parece querer algo parecido com seu acordo com a Cerebras. Os modelos de IA já alcançaram um desempenho notável em muitos cenários, embora não sejam perfeitos. O próximo passo é que funcionem muito, muito rápido — e que suas respostas, mesmo quando longas, apareçam quase instantaneamente.

Essa operação também ajuda a empresa de Sam Altman em outro objetivo: garantir (e reservar) o máximo de capacidade de computação possível, prevendo que a demanda por esses modelos de IA continuará crescendo sem parar nos próximos meses e anos. Segundo o WSJ, a OpenAI já conta com mais de 900 milhões de usuários semanais, e seus executivos comentam com frequência que ainda enfrentam problemas de capacidade de computação.

Esse acordo reforça a posição da Cerebras em um mercado que claramente demanda esse tipo de solução. A empresa está negociando uma rodada de investimento de 1 bilhão de dólares que elevaria sua avaliação de mercado para 22 bilhões de dólares, triplicando a avaliação atual, que gira em torno de 8,1 bilhões de dólares. No passado, a companhia já captou 1,8 bilhão de dólares, segundo a PitchBook.

Conflito de interesses

O acordo também chama a atenção por um aspecto importante: Sam Altman, CEO da OpenAI, também é investidor da Cerebras (ele aparece na parte inferior deste site da Cerebras) e, de fato, sua empresa chegou a considerar em determinado momento a aquisição da Cerebras, embora essa operação não tenha se concretizado. Estamos, portanto, diante de uma operação que teoricamente beneficia Altman dos dois lados, o que é preocupante.

Esse novo acordo reacende mais uma vez o debate sobre a capacidade da OpenAI de arcar com suas obrigações de crédito e dívida. Em 2025, a empresa gerou cerca de 13 bilhões de dólares em receita, mas esse valor se torna pequeno se considerarmos que os contratos firmados com Oracle, Microsoft ou Amazon somam algo em torno de 600 bilhões de dólares, que ela terá de levantar de algum lugar. De onde? É uma boa pergunta. Veremos se conseguirão respondê-la.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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