Princesas do antigo Egito usavam armas há 4.000 anos, de acordo com pesquisadores

Ossos encontrados revelaram prática intensa

Hieroglifos
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora

Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

587 publicaciones de Vika Rosa

Durante décadas, arqueólogos acreditaram que as armas encontradas nos túmulos de algumas princesas do Antigo Egito eram apenas símbolos de status ou objetos cerimoniais. Agora, um novo estudo sugere que elas eram muito mais do que isso: as mulheres da realeza realmente sabiam manusear esses equipamentos e participavam de atividades físicas exigentes, como arco e flecha e caça.

A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Environmental Archaeology, analisou os restos mortais de seis membros da realeza do Reino Médio do Egito, que viveram entre cerca de 1850 e 1700 a.C. As múmias haviam sido descobertas no complexo funerário de Dahshur no fim do século XIX, mas permaneceram desaparecidas por décadas até serem reencontradas no Museu Egípcio durante um projeto de catalogação em 2020.

Ossos das mulheres estavam gastos

Entre os indivíduos estudados estavam quatro irmãs, filhas do faraó Amenemhat II: as princesas Ita, Khenmet, Itaweret e uma quarta mulher que pode ter sido a princesa Sathathormeryt. Seus túmulos continham arcos, flechas, maças e até um punhal finamente trabalhado, objetos tradicionalmente associados a guerreiros do sexo masculino.

A análise dos ossos revelou que essas armas provavelmente não eram apenas itens simbólicos. As princesas apresentavam marcas de inserção muscular muito desenvolvidas nos braços e ombros, um indicativo de que realizavam movimentos repetitivos e intensos ao longo da vida, compatíveis com o uso de arcos, flechas e outras armas.

A princesa Ita, por exemplo, morreu entre 28 e 34 anos e possuía uma musculatura superior bastante robusta, sugerindo o uso frequente de armas como punhais ou maças. Já Itaweret, que tinha entre 20 e 34 anos, apresentava fraturas cicatrizadas nas costelas e nos pés, além de características ósseas compatíveis com uma arqueira experiente. Khenmet, por sua vez, possuía fortes inserções ligamentares, embora já apresentasse sinais de perda de massa óssea.

Os cientistas também identificaram evidências de lesões que provavelmente ocorreram durante atividades físicas intensas, como quedas, impactos ou treinamentos. O fato de essas fraturas terem cicatrizado corretamente indica que os membros da realeza tinham acesso a cuidados médicos bastante avançados para a época.

Além disso, algumas das irmãs compartilhavam raras alterações na coluna vertebral, sugerindo que seus pais possuíam um grau elevado de parentesco, prática relativamente comum entre famílias reais do Egito Antigo.

Os crânios das princesas foram perdidos no início do século XX, limitando parte das análises, mas, ainda assim, elas geraram uma nova perspectiva sobre o papel das mulheres da realeza egípcia.

Inicio