Imagens de satélite revelam construção de luxo desconhecida em Neom. Só pode ser para uma pessoa

A revelação do que parece ser um palácio privado dentro do megaprojeto acrescenta mais dúvidas sobre sua verdadeira natureza

Neom
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O megaprojeto Neom, a ambiciosa iniciativa de cerca de 2 trilhões de dólares da Arábia Saudita para transformar sua economia e se posicionar como referência global em tecnologia, inovação e turismo, voltou a ser notícia após a divulgação, em março de 2025, de imagens de satélite que revelavam uma arquitetura desconhecida: a construção de um suntuoso palácio na costa do Mar Vermelho.

Captadas pela empresa de tecnologia de satélites Maxar Technologies e publicadas em um documentário da revista Business Insider, as imagens mostram um complexo exclusivo com praias privadas, extensos jardins, um campo de golfe e até 10 helipontos.

Como apontava o site, esse palácio indica claramente uma possível residência: a do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Além disso, embora ninguém ligado ao projeto tenha falado sobre essa construção, as imagens de satélite coincidem com informações divulgadas anteriormente pela Reuters em 2018, quando, nos primórdios do projeto, foi mencionada a contratação dos primeiros desenhos para construir até cinco palácios reais na região, a aproximadamente 170 quilômetros de Tabuk.

Neom: um megaprojeto polêmico

Neom é o pilar central do plano de modernização de Mohammed bin Salman, criado para diversificar a economia saudita e reduzir sua dependência do petróleo. E, de todas as iniciativas, sua proposta mais ousada é a The Line, essa cidade vertical de 170 quilômetros de extensão, concebida como um modelo futurista de urbanização sustentável.

Ainda assim, o projeto enfrentou desafios financeiros, controvérsias ambientais e preocupações com direitos humanos (inclusive já se falou em mortes). Originalmente programado para ser concluído em 2030, o PIF (fundo soberano saudita) interrompeu formalmente as obras da The Line em 16 de setembro de 2025, enquanto aguardava uma revisão estratégica.

Uma auditoria interna vazada para o The Wall Street Journal em março de 2025 revelou que concluir a The Line de acordo com seu projeto original custaria cerca de 8,8 trilhões de dólares e que ela não ficaria pronta antes de 2080. A meta de população para 2030 foi primeiro reduzida para 300 mil habitantes e, mais recentemente, para apenas 100 mil. O PIF já assumiu uma baixa contábil de 8 bilhões de dólares no projeto.

O site também conta que o príncipe Mohammed bin Salman é conhecido por seu estilo de vida luxuoso e por seu caro portfólio de propriedades. Entre suas aquisições mais notáveis estão um château no sul da França avaliado em 300 milhões de dólares e um superiate de 400 milhões de dólares, refletindo o nível de opulência associado à sua figura.

A construção do palácio em Neom, portanto, parece se encaixar nesse padrão de grandes investimentos pessoais em meio a um gigantesco projeto nacional.

Neom: entre a ambição e a realidade

O projeto faraônico representa a tentativa mais ambiciosa da Arábia Saudita de redefinir seu futuro econômico e sua imagem global. No entanto, as dificuldades em sua execução, a falta de investimentos estrangeiros e as preocupações com seu impacto ambiental e social colocam em dúvida sua viabilidade no curto prazo.

A revelação do palácio privado dentro do megaprojeto apenas acrescenta mais dúvidas sobre a verdadeira natureza de Neom: estamos diante de um passo em direção ao futuro ou de um símbolo de excessos e megalomania?

Imagem | Maxar

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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