NASA revela como China pode causar desaceleração na rotação da Terra com ação simples

Usina Hidrelétrica de Três Gargantas preocupa a NASA

Seu enchimento pode causar um efeito inesperado: uma leve desaceleração na rotação da Terra

O impacto mínimo demonstra a influência humana nos equilíbrios fundamentais do planeta

Imagem |  Le Grand Portage
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PH Mota

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A Usina Hidrelétrica de Três Gargantas, na China, é uma maravilha da engenharia moderna, mas seu impacto no planeta pode ser maior do que se pensava. Segundo a NASA, o simples enchimento dessa enorme barragem poderia desacelerar a rotação da Terra. Isso pode parecer uma afirmação incrível, mas se baseia em princípios físicos bem estabelecidos e em observações científicas rigorosas.

A Barragem das Três Gargantas, localizada no Rio Yangtzé, na província de Hubei, é a maior usina hidrelétrica do mundo, com uma construção que levou quase 18 anos, concluída em 2012. Com 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura, essa colossal estrutura é capaz de armazenar até 40 quilômetros cúbicos de água, ou 40 trilhões de litros. É essa gigantesca massa de água que, segundo a NASA, pode influenciar a rotação do nosso planeta.

Momento de inércia: uma chave para a compreensão

A ideia de que a Barragem das Três Gargantas poderia afetar a rotação da Terra surgiu em uma publicação da NASA de 2005. Na época, pesquisadores estudavam o impacto do terremoto e tsunami do Oceano Índico de 2004 na rotação do planeta. Eles descobriram que esse terremoto, ao movimentar as placas tectônicas, alterou a distribuição de massas na superfície da Terra e, consequentemente, seu momento de inércia. O momento de inércia é uma grandeza física que caracteriza a resistência de um corpo à modificação de sua rotação. Para ilustrar esse conceito, podemos usar o exemplo de um patinador artístico que, ao cruzar os braços junto ao corpo, aumenta sua velocidade de rotação. Da mesma forma, a rotação da Terra pode ser alterada por mudanças em sua distribuição de massa.

Cientistas da NASA demonstraram que o terremoto de 2004 reduziu a duração do dia em 2,68 microssegundos. Em teoria, um deslocamento maciço de água, como o causado pela construção da Barragem das Três Gargantas, poderia ter um efeito semelhante. O Dr. Benjamin Fong Chao, geofísico do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, explica que o enchimento da barragem poderia deslocar a posição do polo terrestre em cerca de 2 centímetros e diminuir a velocidade de rotação da Terra, aumentando a duração do dia em 0,06 microssegundos.

Pequenas, mas significativas mudanças

Embora essas mudanças sejam pequenas, elas são, no entanto, significativas. Elas são um testemunho do impacto que as atividades humanas podem ter em nosso planeta, mesmo em uma escala tão vasta quanto a rotação da Terra. Além disso, as mudanças climáticas, ao causarem o derretimento do gelo nos polos e a elevação do nível do mar nas regiões tropicais, também modificam a distribuição de massa na Terra e, consequentemente, sua rotação. O derretimento do gelo causa uma transferência de massa dos polos para o equador, o que tem o efeito de desacelerar a rotação da Terra.

Curiosamente, os cientistas já haviam observado uma desaceleração na rotação da Terra mesmo antes da construção da Usina Hidrelétrica de Três Gargantas. Essa desaceleração se devia principalmente à atração gravitacional da Lua e a outros fatores naturais. No entanto, o impacto da barragem chinesa, embora mínimo, soma-se a esses fatores e contribui para uma tendência geral de desaceleração da rotação da Terra. Megaestruturas construídas pelo homem, como a Usina Hidrelétrica de Três Gargantas, bem como fenômenos naturais como terremotos e mudanças climáticas, somam-se, portanto, aos movimentos da Lua para modificar a rotação da Terra.

Em direção a um "segundo intercalar negativo"?

Diante dessas mudanças, alguns pesquisadores recomendam a introdução de um "segundo intercalar negativo" nos próximos anos. Trata-se de um minuto com apenas 59 segundos, para compensar a desaceleração da rotação da Terra e manter sincronizados os relógios atômicos, utilizados para medir o tempo com extrema precisão.

O impacto da Usina Hidrelétrica de Três Gargantas na rotação da Terra, embora mínimo, levanta questões importantes sobre a influência das atividades humanas em nosso planeta. Ele nos lembra que mesmo ações aparentemente locais, como a construção de uma barragem, podem ter repercussões globais. Essa consciência é essencial para orientar nossas escolhas futuras e garantir um desenvolvimento sustentável que leve em consideração os delicados equilíbrios do nosso planeta.

É interessante notar também que a China não é o único país a construir barragens de grande escala. Muitos outros países, como os Estados Unidos, o Brasil e a Índia, também construíram enormes usinas hidrelétricas. Embora o impacto de cada barragem individualmente possa ser pequeno, o efeito cumulativo de todas essas barragens ao redor do mundo pode ser maior do que se pensava anteriormente.

A afirmação da NASA de que a Barragem das Três Gargantas pode desacelerar o movimento da Terra é uma ilustração fascinante da interconexão entre as atividades humanas e os processos naturais em escala planetária. Embora o efeito da barragem seja mínimo, ele nos lembra que nossas ações têm consequências, mesmo em fenômenos tão fundamentais quanto a rotação do nosso planeta. Essa consciência deve nos encorajar a refletir sobre os impactos de nossas escolhas e a trabalhar por um futuro mais sustentável e ecologicamente correto.

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