Todos aqueles cafés que você toma logo de manhã não são em vão: a ciência sabe que eles previnem a demência

Chá também apresenta bons resultados na manutenção de um cérebro saudável

Imagens | Fahmi Fakhrudin
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1389 publicaciones de PH Mota

Durante anos, o debate sobre se o café é um herói ou um vilão da saúde oscilou como um pêndulo entre uma posição e outra. No entanto, a ciência agora oferece um bom motivo para os amantes de café beberem ainda mais café. O motivo está em um novo estudo publicado no JAMA que trouxe à tona evidências difíceis de ignorar: o consumo moderado de cafeína não só nos mantém alertas hoje, como também pode proteger nosso cérebro para o futuro.

Os dados

Estamos falando de evidências difíceis de ignorar justamente porque não se trata de uma pesquisa isolada de um fim de semana, mas sim de um estudo realizado por uma equipe de Harvard com mais de 130 mil pessoas ao longo de quatro décadas.

Especificamente, a amostra analisada foi composta por 131.821 participantes, incluindo profissionais de saúde, e o acompanhamento foi realizado por até 43 anos, entre 1980 e 2023. Ao final do estudo, foram documentados 11.033 casos incidentes de demência, que eram o foco da pesquisa.

Com a dieta

Com todas essas informações disponíveis, os pesquisadores cruzaram os dados sobre consumo alimentar, atualizados a cada quatro anos, com os registros médicos. O objetivo principal era encontrar um padrão que relacionasse algum aspecto da vida de pacientes com demência à sua doença.

E, de fato, encontraram um padrão bastante claro: aqueles que consumiam café com cafeína apresentavam menor risco de desenvolver demência em comparação com aqueles que quase não o consumiam. Algo que outros estudos anteriores também haviam apontado.

Nem pouco, nem muito

Logicamente, o estudo não sugere que se deva começar a beber café como se fosse água, já que os efeitos da cafeína em grandes quantidades são muito prejudiciais à saúde.

A ciência aponta, neste caso, que o maior benefício foi observado em quem consumia aproximadamente 2 a 3 xícaras de café por dia. Em números concretos, observou-se que esse consumo reduziu o risco de demência em 18% e também esteve associado a uma menor prevalência de comprometimento cognitivo subjetivo e melhores resultados em testes objetivos de memória nos pacientes.

Beba mais café

De acordo com este estudo específico, o benefício se estabiliza, não aumentando ainda mais, mas também não piorando drasticamente nesse grupo de pacientes. Mas outras meta-análises sugerem que, com o consumo superior a 4 ou 5 xícaras, os benefícios podem ser revertidos e gerar outros problemas.

A cafeína é fundamental

Uma das descobertas mais interessantes é a distinção química feita pelos pesquisadores, que separaram pessoas que bebem café com cafeína daquelas que bebem café descafeinado. Os resultados foram bastante claros: o consumo de café descafeinado não está associado a um risco reduzido de demência ou a um melhor desempenho cognitivo.

Isso sugere que o efeito neuroprotetor não provém apenas dos antioxidantes ou polifenóis do grão (que também estão presentes no café descafeinado), mas que a cafeína é o principal agente ativo nessa equação.

O efeito do chá

Há um grande grupo de pessoas que não dependem da cafeína para se manterem acordadas, mas sim da teína presente no chá. Nesse caso, o consumo de chá apresentou associações semelhantes às do café, já que o consumo de 1 a 2 xícaras por dia também foi associado a um risco reduzido de demência e a uma melhor função cognitiva.

Isso reforça a teoria de que a cafeína e outros compostos, como a L-teanina, desempenham um papel protetor em nosso sistema nervoso.

Por que funciona?

Embora, neste caso, o estudo não se concentre em explicar as razões, os autores propõem uma série de mecanismos biológicos para compreender o fenômeno. O primeiro deles é que a cafeína bloqueia os receptores de adenosina no cérebro, o que não só nos deixa mais alertas, como também pode reduzir o acúmulo de beta-amiloide, a proteína associada ao Alzheimer quando presente em grandes quantidades.

Além disso, acredita-se que a cafeína também reduza as citocinas pró-inflamatórias no cérebro, atenuando a neuroinflamação que precede o declínio cognitivo. E, como se não bastasse, a cafeína também melhora a sensibilidade à insulina e a função vascular, dois fatores que, quando comprometidos, abrem caminho para a demência.

Ressalvas

Embora variáveis ​​como tabagismo, exercícios físicos e dieta tenham sido ajustadas, não é possível comprovar definitivamente que o café cause proteção cerebral. É sempre possível que pessoas com comprometimento cognitivo precoce deixem de tomar café por se sentirem mal, mas os pesquisadores tentaram controlar esse fator excluindo os primeiros anos de acompanhamento.

Além disso, deve-se levar em consideração que os participantes eram, em sua maioria, profissionais da saúde com nível superior de escolaridade, portanto, os resultados podem variar em populações com outros estilos de vida ou características genéticas.

Aproveite, mas não se force.

Quem já aprecia 2 a 3 xícaras de café por dia tem mais um motivo científico para fazê-lo sem culpa, já que se encontra na faixa ideal de proteção neurológica. Mas se houver pessoas que não gostam de café ou que ficam muito agitadas com ele, não se forcem, pois a qualidade do sono e o exercício físico continuam sendo os pilares indiscutíveis da saúde cerebral.

Imagens | Fahmi Fakhrudin

Inicio