Se você tem esses aparelhos eletrônicos, tem um tesouro em casa (literalmente) e não faz ideia

Lixo eletrônico possui um tesouro em seu interior, mas ele não é tão fácil de acessar | Imagem: Nanoslavic Pixabay 1
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Igor Gomes

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Igor Gomes

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Subeditor do Xataka Brasil. Jornalista há 15 anos, já trabalhou em jornais diários, revistas semanais e podcasts. Quando criança, desmontava os brinquedos para tentar entender como eles funcionavam e nunca conseguia montar de volta.

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A frase “o lixo de um pode ser o tesouro de outros” nunca foi tão verdadeira quanto na atualidade, principalmente se estivermos tratando de lixo eletrônico. Nos últimos anos temos visto a crescente competição entre países pelos depósitos de terras raras: concentrações subterrâneas de elementos valiosíssimos que são essenciais para a confecção de chips, placas de memória e outros componentes de aparelhos eletrônicos. Eles estão em todos os lugares: smartfones, computadores ultra rápidos e outros gadgets são parte essencial do nosso dia a dia. Inclusive, é provável que você esteja lendo essa matéria utilizando uma pequena jóia com ouro de 22 quilates. E ainda tem gente que a joga fora por desconhecimento.

Conexões de ouro

Para que smartphones, smart tvs, assistentes e computadores consigam ter respostas rápidas aos nossos comandos, é preciso que os dados viajem pelos seus circuitos em altíssima velocidade. Por isso, muitos fabricantes utilizam ouro nos conectores e nas trilhas condutoras. O ouro é um excelente condutor elétrico e possui uma grande resistência à corrosão. Muitos fabricantes preferem apenas banhar os componentes com ouro em vez de utilizá-lo como matéria-prima, reduzindo o custo de produção e aumentando o lucro. A quantidade de ouro em um smartphone, por exemplo, é bem baixa. De acordo com um levantamento da União Européia publicado em 2014, você precisa reciclar aproximadamente 41 smartphones para conseguir 1g de ouro, dando uma média de 0,02 gramas por aparelho. 

Como remover os metais preciosos do celular?

O ouro não é o único metal valioso que está presente no seu celular. Prata, paládio, cobre, platina e estanho também são usados na produção dos componentes por suas qualidades de resistência e condutividade. Algumas empresas de reciclagem de aparelhos eletrônicos utilizam técnicas de remoção que não podem ser replicadas em casa com segurança. Geralmente, o processo inclui usar ácidos para dissolvê-los em água e depois fazer a separação ou chamas de altíssima temperatura para separar os metais pelo ponto de fusão. Não é possível replicar nenhum desses processos em casa com segurança. Até mesmo a técnica desenvolvida por pesquisadores suíços que usa soro de leite para remover os metais preciosos dos aparelhos depende de processos impossíveis de replicar em casa. 

O que fazer com eletrônicos velhos? 

O melhor a se fazer é levá-los a pontos de reciclagem de eletrônicos. A quantidade de ouro ou prata presente em aparelhos é baixa e não vale o investimento nem o risco para removê-los do seu celular e computador. Você pode estar abrindo mão de um pouco de dinheiro, mas estará fazendo um bem para a preservação do meio ambiente. Segundo o relatório mais recente da Organização das Nações Unidas sobre lixo eletrônico lançado em 2022, o Brasil é o segundo país das Américas que mais produz esse tipo de dejeto: cerca de 2.400 toneladas por ano. 

Desde 2010, a Política Nacional de Resídduos Sólidos (lei 12.305/2010) obriga fabricantes, vendedores, importadores e distribuidores a coletar e estabelecer um processo de logística reversa para que os eletrônicos não poluam o meio ambiente. Então, caso precise se desfazer de algum aparelho, entre em contato com a loja onde você comprou ou com o fabricante que eles podem te dar instruções de como descartar seus eletrônicos. Só tome cuidado de formatar seus aparelhos e garantir que eles não possuem nenhum dado sensível que possa ser acessado. 

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