Parece cena de filme, mas é real: o fenômeno que fez o deserto do Saara atravessar o oceano e atingir o Brasil em cheio

Nuvem de poeirapercorre mais de 5 mil quilômetros e pode deixar o céu mais turvo

Foto: Divulgação/EUMETSAT
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Uma massa de poeira proveniente do deserto do Saara, no norte da África, está sendo transportada pelos ventos alísios sobre o Oceano Atlântico tropical. O fenômeno deve atingir áreas do Norte e Nordeste do Brasil, além de regiões da América do Sul, Central e Caribe nos próximos dias.

Monitoramento aponta alta concentração de partículas

Mapas de previsão indicam que a concentração de partículas suspensas no ar, tanto PM₁₀ quanto a da fração mais fina — PM₂.₅ —, devem se elevar sobre partes do Brasil e de países vizinhos. 

A nomenclatura PM₂.₅ faz referência às partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros — cerca de 30 vezes menor que um fio de cabelo. Por serem tão pequenas, elas têm mais facilidade em penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea.

Desde segunda-feira (23), sistemas de meteorologia vêm reportando um ar mais turvo e poeira em níveis médios da atmosfera  nos países do norte da América. A maior concentração é prevista para terça (24) e quarta-feira (25), e tende a persistir ao menos até sexta-feira (27).

Partículas finas do Saara podem ser transportadas pela atmosfera

O deserto do Saara é a maior fonte de poeira mineral do mundo. As micropartículas são erguidas por ventos fortes e seguem o fluxo atmosférico dominante.

À medida que a massa viaja, a fração mais leve e fina permanece suspensa por tempo e distância suficientes para alcançar o continente americano. 

Inalação pode causar impactos na saúde e no clima

A elevação de concentrações de PM₂.₅ pode comprometer temporariamente a qualidade do ar, provocando irritação nos olhos e nas vias respiratórias. O alerta vale especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crônicos. Autoridades de saúde recomendam que grupos vulneráveis limitem atividades ao ar livre ou usem proteção respiratória durante esses episódios.

Do ponto de vista climático, a poeira em suspensão também interfere na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas, uma vez que o excesso de partículas compete pela umidade do ar. 

A dispersão da luz também pode produzir um pôr do sol com cores mais intensas ou visuais diferentes no horizonte.

Foto de capa: Divulgação/EUMETSAT

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