Uma massa de poeira proveniente do deserto do Saara, no norte da África, está sendo transportada pelos ventos alísios sobre o Oceano Atlântico tropical. O fenômeno deve atingir áreas do Norte e Nordeste do Brasil, além de regiões da América do Sul, Central e Caribe nos próximos dias.
Monitoramento aponta alta concentração de partículas
Mapas de previsão indicam que a concentração de partículas suspensas no ar, tanto PM₁₀ quanto a da fração mais fina — PM₂.₅ —, devem se elevar sobre partes do Brasil e de países vizinhos.
A nomenclatura PM₂.₅ faz referência às partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros — cerca de 30 vezes menor que um fio de cabelo. Por serem tão pequenas, elas têm mais facilidade em penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea.
Desde segunda-feira (23), sistemas de meteorologia vêm reportando um ar mais turvo e poeira em níveis médios da atmosfera nos países do norte da América. A maior concentração é prevista para terça (24) e quarta-feira (25), e tende a persistir ao menos até sexta-feira (27).
Partículas finas do Saara podem ser transportadas pela atmosfera
O deserto do Saara é a maior fonte de poeira mineral do mundo. As micropartículas são erguidas por ventos fortes e seguem o fluxo atmosférico dominante.
À medida que a massa viaja, a fração mais leve e fina permanece suspensa por tempo e distância suficientes para alcançar o continente americano.
Inalação pode causar impactos na saúde e no clima
A elevação de concentrações de PM₂.₅ pode comprometer temporariamente a qualidade do ar, provocando irritação nos olhos e nas vias respiratórias. O alerta vale especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crônicos. Autoridades de saúde recomendam que grupos vulneráveis limitem atividades ao ar livre ou usem proteção respiratória durante esses episódios.
Do ponto de vista climático, a poeira em suspensão também interfere na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas, uma vez que o excesso de partículas compete pela umidade do ar.
A dispersão da luz também pode produzir um pôr do sol com cores mais intensas ou visuais diferentes no horizonte.
Foto de capa: Divulgação/EUMETSAT
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