Todas as grandes empresas de tecnologia estão apostando o que têm e o que não têm no futuro da IA, menos uma: a Apple

  • Empresa de Tim Cook ainda está em sua décima terceira geração;

  • Só o tempo dirá se ele acertou na estratégia ou se perdeu oportunidade histórica

Imagem | Xataka com Freepik
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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650 bilhões de dólares. Esse é o valor total que Google, Amazon, Meta e Microsoft vão investir em data centers de IA. Essa quantia é impressionante e se assemelha ao PIB atual de países como Argentina ou Israel. Mas o curioso não é só isso: existe uma gigante da tecnologia que está ignorando completamente a febre de investir em IA como se não houvesse amanhã.

Apple contra a maré

A empresa liderada por Tim Cook é a única, entre as grandes empresas de tecnologia, cujo capex (despesas de capital previstas) caiu no último trimestre. Segundo dados da FactSet compilados por Sherwood, as previsões da Apple para aquele trimestre não eram de aumentar os gastos, mas de reduzir (muito) os investimentos.

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Os números não mentem

De acordo com os dados fornecidos por essas empresas, a Amazon espera que, até 2026, seu capex chegue a US$ 200 bilhões. O Google pretende aumentar seus gastos de US$ 175 bilhões para US$ 185 bilhões; a Meta estima que o investimento ficará entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões; e, embora a Microsoft não tenha divulgado um valor específico, é provável que ultrapasse os US$ 114 bilhões estimados por Wall Street.

E a Apple? A Apple não gastará mais, mas sim 19%, segundo suas últimas estimativas: cerca de US$ 12,7 bilhões.

  • Amazon: +42% em relação ao ano anterior (em comparação com o ano anterior)
  • Microsoft: +89% em relação ao ano anterior
  • Google: +95% em relação ao ano anterior
  • Goal: +48% em relação ao ano anterior
  • Apple: -19% em relação ao ano anterior

Apple abandona a IA

Enquanto seus concorrentes gastaram somas recordes no último trimestre (encerrado em 31 de dezembro) na compra de materiais e imóveis ligados ao setor de IA e data centers, a Apple continua sem investir na área. Isso deixa claro que a empresa parece ter decidido definitivamente que esta não é a sua guerra.

Siri + Gemini é o melhor teste

A confirmação dessa "rendição" está no recente anúncio de que o Gemini será a IA na qual a nova versão da Siri será baseada. Espera-se que a nova assistente de IA da Apple chegue ao mercado na primavera do hemisfério norte, a partir de março, com pelo menos alguns recursos iniciais, mas o fato de depender inteiramente do modelo de IA do Google deixa claro que a Apple prefere delegar em vez de investir em seu próprio modelo fundamental.

IA será commodity

Em vez de participar desta custosa guerra de modelos de linguagem, a Apple deixa claro que a IA acabará se tornando uma commodity, algo que se tornará uma tecnologia padrão básica, como o PC, o celular ou o laptop são hoje. Os preços dos modelos despencam à medida que a capacidade aumenta, e os benchmarks deixam claro que nenhum modelo é melhor que o outro por um longo tempo.

Apple como porta de entrada para a IA

Como de costume, a Apple pretende aproveitar o fato de possuir a "porta de entrada para a IA". Com 2,4 bilhões de dispositivos em todo o mundo, ela controla o canal de distribuição mais valioso do planeta. Pode se dar ao luxo de não fabricar "o motor", mas sim de atuar como um meio para levar a IA às massas. Acordos como o firmado com o Google são apenas o começo.

Não importa chegar atrasado

Isso está no DNA da empresa. Ela não queria entrar na batalha dos mecanismos de busca, mas isso não importou: fechou um acordo com o Google, que lhe paga bilhões de dólares há anos para poder usar o recurso como padrão em iPhones, iPads e Macs. A Apple prefere que outros abram caminho e absorvam os custos do aprendizado inicial. Depois, geralmente chega com uma integração superior e uma experiência refinada (iPod, iPhone) ou diretamente com acordos como o que firmou na área de mecanismos de busca.

IA será invisível e onipresente

O objetivo da Apple não parece ser oferecer seu próprio chatbot na web, mas sim tornar a IA invisível e onipresente. Não importa qual modelo a utilize, mas sim que essa IA funcione de forma transparente para o usuário. E que isso aconteça, é claro, perfeitamente integrada aos serviços e aplicativos da Apple.

Privacidade por meio de sinalização

Claro, com o tão alardeado compromisso com a privacidade que a Apple sempre ostenta. Seu Private Cloud Compute é a melhor prova disso. Ao não depender de publicidade (olá, Google, olá, OpenAI), ela consegue oferecer recursos avançados sem coletar dados massivos dos usuários.

Mas há riscos

Ainda assim, a estratégia apresenta um risco crítico: se os modelos de IA se tornarem uma commodity e acabarem criando monopólios tecnológicos, a Apple poderá ficar permanentemente à mercê de seus fornecedores. Se essas vantagens competitivas acabarem se consolidando na camada de modelos – aquela controlada pela OpenAI, Anthropic e Google – e a dependência de terceiros fora da camada de integração — que é de responsabilidade da Apple — será uma perigosa fraqueza estratégica.

Espaço para manobra

A Apple tem lucros anuais próximos a US$ 100 bilhões, o que lhe confere uma invejável posição financeira para esperar que esse ciclo de euforia se arrefeça. É evidente que existe uma bolha da IA ​​e que essa bolha provavelmente acabará estourando, deixando muitas vítimas. Se isso acontecer, uma das empresas que, sem dúvida, terá espaço para sobreviver será a Apple.

Imagem | Xataka com Freepik

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