Por que as saunas da Coreia do Sul estão na moda entre os jovens?

Eles não vão apenas para relaxar: o que realmente acontece dentro dos jjimjilbangs

Jjimjilbangs South Korea
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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As saunas são ambientes tradicionalmente associados ao relaxamento, à recuperação física e aos momentos de descanso. Mas, na Coreia do Sul, um movimento curioso tem chamado a atenção: cada vez mais jovens entre 20 e 30 anos estão transformando os tradicionais jjimjilbang em um dos programas mais populares da atualidade. Ou seja, o que antes era visto como um hábito de gerações mais velhas passou a atrair uma nova geração em busca de bem-estar, conexões humanas e uma pausa das telas. O resultado é um renascimento desses espaços, que deixaram de ser apenas locais para relaxar e passaram a oferecer uma experiência que mistura autocuidado, conexão humana e novas formas de lazer.

Entre o bem-estar e a desconexão: o que atrai os jovens às saunas sul-coreanas 

Muito antes de se tornarem uma tendência de bem-estar nas redes sociais, as saunas já ocupavam um espaço importante em diversas culturas como locais de relaxamento, convivência e cuidados com o corpo. Na Coreia do Sul, essa tradição ganhou uma versão própria nos jjimjilbangs,  grandes complexos que misturam banhos quentes, áreas de descanso, alimentação e serviços de beleza em um mesmo espaço. De modo geral, esses ambientes foram pensados para suar e descansar, mas hoje, se transformaram em centros de lazer para os jovens da Coreia do Sul.

Mas o que será que motiva esses jovens a frequentarem esses espaços? Diferentemente de outras gerações, o sucesso das saunas entre o grupo jovem não está unicamente relacionado aos benefícios do calor. Para muitos deles, frequentar um jjimjilbang se tornou uma experiência diferenciada que começa antes mesmo de entrar nas salas de vapor. Cafés, refeições típicas, rituais de cuidados com a pele e momentos de descanso passaram a fazer parte do programa. Ao mesmo tempo, acessórios personalizados e vídeos compartilhando a rotina nesses ambientes ajudaram a transformar o hábito em uma tendência nas redes sociais

Além do apelo estético, os jjimjilbangs passaram a atender a uma demanda cada vez maior por espaços onde seja possível desacelerar. Em uma rotina marcada pelo excesso de tecnologia, muitos jovens enxergam esses complexos como um refúgio para descansar, socializar e passar horas longe das telas. Assim, um costume tradicional foi ressignificado e voltou ao centro da cultura de bem-estar sul-coreana. 

O lugar mais improvável para fazer amigos hoje não é um bar nem uma academia: é uma sauna

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A transformação não aconteceu apenas na forma de consumir a experiência, mas também na maneira como as pessoas se relacionam dentro desses ambientes. Grupos organizados por aplicativos passaram a reunir desconhecidos para encontros regulares em saunas, enquanto comunidades de corrida, clubes de café e iniciativas voltadas ao bem-estar também incorporaram sessões de vapor e banhos frios às suas atividades.

Para os participantes, compartilhar esse tipo de experiência facilita conversas mais espontâneas. Sem celulares, distrações ou redes sociais, o ambiente favorece interações mais naturais e ajuda a quebrar o gelo rapidamente, fazendo com que pessoas que nunca se viram antes criem vínculos em poucas horas.

A própria dinâmica dos jjimjilbangs contribui para isso. Nas áreas de banho, onde a nudez é comum e faz parte da cultura local, diferenças de status, profissão ou estilo acabam ficando em segundo plano. Sem roupas de marca, maquiagem ou acessórios, muitos frequentadores relatam que as conversas se tornam mais autênticas e menos influenciadas por aparências.

Especialistas também enxergam um componente cultural por trás disso. Antes da popularização dos banheiros privativos, os banhos públicos desempenhavam um importante papel na construção de laços comunitários na Coreia do Sul. Após anos de queda no número de frequentadores, agravada pela pandemia, esses espaços voltam a ganhar relevância ao oferecer um ambiente onde é possível desacelerar, desconectar-se das telas e criar conexões sinceras. 

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