No México, muitas empresas da indústria de refrigerantes, entre elas a Coca-Cola, têm substituído cada vez mais o açúcar da cana pelo xarope de milho de alta frutose. O principal motivo é reduzir custos. No entanto, para muitos consumidores, o uso do HFCS (sigla em inglês) altera o sabor dos produtos e também não beneficia o país por ser importado.
Por isso, durante uma reunião recente com executivos da The Coca-Cola Company, a presidente Claudia Sheinbaum propôs que a empresa utilize mais açúcar de cana mexicano, de modo que a produção traga benefícios econômicos ao país. Em troca, a Coca-Cola pagaria menos por esse ingrediente.
Durante a conferência matinal de 5 de março, Sheinbaum explicou que a dependência atual da frutose importada é um tema que exige atenção. Destacou que essa substância é, em sua maioria, estrangeira, enquanto o açúcar produzido no México é usado cada vez menos. Acrescentou que, com HFCS, “o refrigerante tem um sabor diferente”.
A mandatária afirmou que o consumo elevado de frutose representa um risco para a saúde, embora tenha ressaltado que serão os especialistas que determinarão os efeitos específicos: “Muito açúcar, muito consumo, pois sempre faz mal”, disse. A estratégia, esclareceu, é que a indústria de refrigerantes aumente o uso de açúcar nacional aproveitando os preços atuais do mercado, para que o benefício da produção permaneça no campo mexicano e não nas importações de xaropes.
Outro tema importante durante a reunião foi o manejo da água. A Coca-Cola assegurou que a qualidade da água que descarrega cumpre padrões superiores aos exigidos pela norma ambiental mexicana (NOM-001-SEMARNAT). Além disso, foi adiantado que as novas fábricas da empresa deverão contar com avaliações de impacto ambiental estaduais, como parte de um plano de investimento de 6 bilhões de dólares que a companhia tem projetado para o México e cujas localizações serão divulgadas em breve.
Quão perigoso é o xarope de milho de alta frutose?
No ano passado, nos EUA, Donald Trump também pressionou a Coca-Cola a voltar a usar açúcar de cana, alegando preocupação com o impacto desse produto na saúde. Isso levou a empresa a lançar versões especiais com esse ingrediente. A receita da Coca-Cola varia dependendo do país.
O certo é que o uso de HFCS é objeto de debate. Enquanto sites de saúde como Healthline e instituições como a UNAM alertam para o consumo excessivo e sua associação com problemas como fígado gorduroso não alcoólico ou diabetes tipo 2, organizações como a Nebraska Corn argumentam que o HFCS e o açúcar de cana são metabolicamente muito semelhantes e que ambos contêm quantidades quase idênticas de frutose e glicose.
De acordo com a organização, o problema não está no ingrediente em si, mas no consumo excessivo de qualquer açúcar adicionado. Ela afirma também que, consumido com moderação, o xarope de milho não é mais prejudicial do que outros adoçantes calóricos.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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