Os rumores já circulavam no final de 2025: o Pentágono concluiu que gigantes chineses como Alibaba, BYD e Baidu tinham ligações com os militares chineses. Na época, não estava claro se as empresas seriam adicionadas à lista 1260H do Pentágono, mas era claramente um aviso, e ocorreu apenas três semanas antes de Donald Trump e Xi Jinping concordarem com uma trégua comercial.
As coisas pareciam ter se acalmado, especialmente com medidas mais recentes, como a abertura do mercado para a Nvidia vender suas GPUs H200 para IA e a visita de Donald Trump à China (acompanhado por vários CEOs de empresas americanas) para aliviar as tensões e manter um delicado equilíbrio nessa trégua comercial.
Mas acontece que não é bem assim e, como aponta a Reuters, Alibaba, BYD e Baidu são as empresas chinesas mais recentes adicionadas à lista do Pentágono. E não são as únicas.
Muitas outras empresas chinesas adicionadas à lista negra do Pentágono
A atualização da conhecida lista 1260H já era esperada há algum tempo. A atualização de novembro foi um aviso, mas não uma atualização real. Um mês após a visita diplomática de Donald Trump a Pequim, o Pentágono divulgou uma nova versão da lista, refletindo algumas mudanças interessantes.
Já mencionamos Alibaba, BYD e Baidu como empresas que se juntam a esse seleto grupo de firmas que, embora ainda não enfrentem sanções diretas, sofrerão uma consequência clara: a partir do final deste mês, o Departamento de Defesa dos EUA estará proibido de contratar diretamente qualquer uma dessas empresas.
Então, quais são elas?
Bem, são muitas, de todos os setores. Alibaba e Baidu são dois gigantes da internet (assim como Amazon e Google, respectivamente), mas também estão presentes a já mencionada BYD (carros e baterias), CXMT e YMTC (semicondutores e memória RAM), Unitree e RoboSense (robótica) e WuXi AppTec (biotecnologia).
É uma lista muito curiosa, pois são empresas que competem diretamente com empresas americanas e taiwanesas. Por exemplo, relatamos recentemente como a indústria de tecnologia está recorrendo à CXMT e à YMTC em busca de memória RAM que não consegue obter pelos canais tradicionais devido à escassez de componentes.
Os Estados Unidos e a China estão envolvidos em uma corrida na área da robótica, e a Unitree é uma das empresas líderes em robôs humanoides e quadrúpedes (algo que a China está explorando para uso militar). A Nvidia anunciou recentemente que trabalhará em estreita colaboração com a Unitree no desenvolvimento de robôs.
Há também a China Blue Chemical Limited, subsidiária da petrolífera estatal CNOOC, e a Baicells, que fabrica equipamentos de telecomunicações.
Não há sanções diretas ou medidas de pressão contra essas empresas, como as aplicadas à Huawei, mas, de acordo com a legislação americana, o Departamento de Defesa estará proibido de fazer negócios com essas empresas a partir deste mês e, a partir de 2027, também estará proibido de comprar seus produtos ou serviços por meio de terceiros.
O que dizem as empresas chinesas?
Conforme noticiado pela Reuters e pelo The Guardian, o Alibaba considera essa alegação infundada, pois "o Alibaba não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre militares e civis", afirmando que tomará "todas as medidas legais cabíveis contra tentativas de difamar a empresa".
O Baidu, por sua vez, também rejeitou a medida, declarando que "a sugestão de que o Baidu seja uma empresa militar é completamente infundada" e indicando que não hesitará em "tomar todas as medidas imediatas para ser removido da lista". A WuXi AppTec também se manifestou, afirmando que é possível ser removida da lista, mas apenas se retirar suas operações dos Estados Unidos ou mudar o nome da empresa.
O Pentágono afirma que empresas de capital aberto correm o risco de serem classificadas como "empresas militares chinesas", embora possam solicitar a remoção da lista, segundo representantes do Pentágono.
O presidente do Comitê Seleto da Câmara, John Moolenaar, foi um pouco mais direto, observando que a lista atualizada "é um alerta para as empresas americanas, para todos os níveis de governo e para o próprio povo americano", afirmando que "essas empresas chinesas estão trabalhando com os militares chineses contra nossos interesses nacionais".
Em reportagem da Reuters, Craig Singleton, especialista em relações com a China, destaca que Washington não trata mais as empresas chinesas como entidades isoladas, mas sim como um conglomerado estratégico que é um braço do governo chinês.
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