Pentágono adicionou BYD, Unitree, Alibaba e outros gigantes chineses à sua lista negra, em abordagem autoritária para eliminar concorrência

Pentágono atualizou "lista de entidades" com empresas chinesas que, segundo eles, colaboram com militares

Não se tratam de empresas desconhecidas, mas de gigantes que competem diretamente com outros gigantes americanos

Imagem | Xataka
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1782 publicaciones de PH Mota

Os rumores já circulavam no final de 2025: o Pentágono concluiu que gigantes chineses como Alibaba, BYD e Baidu tinham ligações com os militares chineses. Na época, não estava claro se as empresas seriam adicionadas à lista 1260H do Pentágono, mas era claramente um aviso, e ocorreu apenas três semanas antes de Donald Trump e Xi Jinping concordarem com uma trégua comercial.

As coisas pareciam ter se acalmado, especialmente com medidas mais recentes, como a abertura do mercado para a Nvidia vender suas GPUs H200 para IA e a visita de Donald Trump à China (acompanhado por vários CEOs de empresas americanas) para aliviar as tensões e manter um delicado equilíbrio nessa trégua comercial.

Mas acontece que não é bem assim e, como aponta a Reuters, Alibaba, BYD e Baidu são as empresas chinesas mais recentes adicionadas à lista do Pentágono. E não são as únicas.

Muitas outras empresas chinesas adicionadas à lista negra do Pentágono

A atualização da conhecida lista 1260H já era esperada há algum tempo. A atualização de novembro foi um aviso, mas não uma atualização real. Um mês após a visita diplomática de Donald Trump a Pequim, o Pentágono divulgou uma nova versão da lista, refletindo algumas mudanças interessantes.

Já mencionamos Alibaba, BYD e Baidu como empresas que se juntam a esse seleto grupo de firmas que, embora ainda não enfrentem sanções diretas, sofrerão uma consequência clara: a partir do final deste mês, o Departamento de Defesa dos EUA estará proibido de contratar diretamente qualquer uma dessas empresas.

Então, quais são elas?

Bem, são muitas, de todos os setores. Alibaba e Baidu são dois gigantes da internet (assim como Amazon e Google, respectivamente), mas também estão presentes a já mencionada BYD (carros e baterias), CXMT e YMTC (semicondutores e memória RAM), Unitree e RoboSense (robótica) e WuXi AppTec (biotecnologia).

É uma lista muito curiosa, pois são empresas que competem diretamente com empresas americanas e taiwanesas. Por exemplo, relatamos recentemente como a indústria de tecnologia está recorrendo à CXMT e à YMTC em busca de memória RAM que não consegue obter pelos canais tradicionais devido à escassez de componentes.

Os Estados Unidos e a China estão envolvidos em uma corrida na área da robótica, e a Unitree é uma das empresas líderes em robôs humanoides e quadrúpedes (algo que a China está explorando para uso militar). A Nvidia anunciou recentemente que trabalhará em estreita colaboração com a Unitree no desenvolvimento de robôs.

Há também a China Blue Chemical Limited, subsidiária da petrolífera estatal CNOOC, e a Baicells, que fabrica equipamentos de telecomunicações.

Não há sanções diretas ou medidas de pressão contra essas empresas, como as aplicadas à Huawei, mas, de acordo com a legislação americana, o Departamento de Defesa estará proibido de fazer negócios com essas empresas a partir deste mês e, a partir de 2027, também estará proibido de comprar seus produtos ou serviços por meio de terceiros.

O que dizem as empresas chinesas?

Conforme noticiado pela Reuters e pelo The Guardian, o Alibaba considera essa alegação infundada, pois "o Alibaba não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre militares e civis", afirmando que tomará "todas as medidas legais cabíveis contra tentativas de difamar a empresa".

O Baidu, por sua vez, também rejeitou a medida, declarando que "a sugestão de que o Baidu seja uma empresa militar é completamente infundada" e indicando que não hesitará em "tomar todas as medidas imediatas para ser removido da lista". A WuXi AppTec também se manifestou, afirmando que é possível ser removida da lista, mas apenas se retirar suas operações dos Estados Unidos ou mudar o nome da empresa.

O Pentágono afirma que empresas de capital aberto correm o risco de serem classificadas como "empresas militares chinesas", embora possam solicitar a remoção da lista, segundo representantes do Pentágono.

O presidente do Comitê Seleto da Câmara, John Moolenaar, foi um pouco mais direto, observando que a lista atualizada "é um alerta para as empresas americanas, para todos os níveis de governo e para o próprio povo americano", afirmando que "essas empresas chinesas estão trabalhando com os militares chineses contra nossos interesses nacionais".

Em reportagem da Reuters, Craig Singleton, especialista em relações com a China, destaca que Washington não trata mais as empresas chinesas como entidades isoladas, mas sim como um conglomerado estratégico que é um braço do governo chinês.

Inicio