Entregas do futuro na Coreia: drones carregam até 40 quilos sobre rios e repassam encomendas para robôs autônomos que navegam por pátios e sobem até a porta dos moradores

Projeto financiado pelo governo sul-coreano combina drones de carga e robôs autônomos para testar entregas sem contato em áreas residenciais

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Natália P. Martins

Redatora

Consegue imaginar comprar um produto de grande pela internet e não precisar ficar esperando o entregador chegar? A Coreia do Sul, começou a testar uma tecnologia que  combina drones de carga e robôs autônomos para fazer isso: a aeronave transporta o pacote pelo ar, entrega a carga em uma estação de transferência e um veículo sem motorista assume o trajeto final até o prédio do cliente.

O sistema está sendo testado na cidade de Jinju, no sudeste do país, em um dos experimentos mais avançados de um projeto sul-coreano de entregas automatizadas. A iniciativa pretende descobrir se uma operação também pode funcionar em ambientes mais complexos de grandes conjuntos residenciais.

Drone leva a encomenda até o condomínio

Durante os testes, os drones recolheram brinquedos emprestados e livros infantis de uma biblioteca e de um banco municipal de brinquedos. A aeronave atravessou o rio Nam carregando os produtos até uma estação localizada próxima a um grande complexo de apartamentos.

Nesse ponto, acontece a troca de veículos. Em vez de continuar pelo ar, a encomenda é transferida para um robô terrestre autônomo, que assume o restante do percurso.

O pequeno veículo precisa circular por faixas de pedestres, caminhos estreitos e áreas movimentadas dentro dos próprios condomínios. O objetivo é chegar até a entrada do edifício e entregar o pacote próximo à porta do morador, sem a necessidade de intervenção humana durante o trajeto.

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Robôs precisam lidar com pedestres, animais e obstáculos

Nos testes, os veículos precisam lidar com situações imprevisíveis, como pedestres, carrinhos de bebê, animais de estimação e obstáculos que aparecem repentinamente no caminho. Também precisam continuar funcionando diante de mudanças climáticas e superfícies escorregadias.

No caso dos drones, as aeronaves precisam contar com sistemas de segurança capazes de reduzir o risco de acidentes provocados por falhas mecânicas, perda de sinal ou rajadas de vento.

Projeto já passou por testes em outras regiões

A experiência em Jinju não é o primeiro teste do sistema. Antes de chegar aos complexos residenciais, a Administração Aeroespacial da Coreia, conhecida pela sigla KASA, realizou experimentos em diferentes ambientes do país.

No fim de 2025, os pesquisadores verificaram a transferência de encomendas entre os sistemas aéreo e terrestre em Naepo New Town, na província de Chungcheong do Sul.

Entre março e agosto deste ano, os testes foram ampliados para áreas remotas da ilha de Jeju e para centros públicos de logística em Sacheon, na província de Gyeongsang do Sul.

A etapa realizada em Jinju representa um desafio diferente porque coloca a tecnologia em um ambiente com maior concentração de pessoas e edifícios. Além de provar que os equipamentos funcionam, os pesquisadores precisam avaliar questões relacionadas à segurança e à aceitação dos moradores.

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A KASA considera a aceitação social uma das etapas fundamentais do projeto. Afinal, a operação acontece em espaços compartilhados por moradores, pedestres e veículos, e não em uma área de testes isolada.

Segundo Oh Tae-seok, administrador da KASA, os testes buscam aperfeiçoar a tecnologia e criar as condições necessárias para que serviços de entrega colaborativa entre drones e robôs possam, no futuro, fazer parte da rotina.

Governo investe US$ 11,2 milhões no projeto

O projeto recebeu um investimento estatal de 14,9 bilhões de won, aproximadamente US$ 11,2 milhões, com financiamento previsto até dezembro.

A iniciativa reúne drones capazes de transportar cargas pesadas e robôs terrestres autônomos desenvolvidos em parceria com o Instituto de Pesquisa em Eletrônica e Telecomunicações da Coreia.

Ao longo dos três anos previstos para o programa, a equipe pretende realizar mais de 300 testes em seis locais diferentes do país.

Para isso, serão utilizados sete drones de carga desenvolvidos especificamente para o projeto e sete robôs autônomos capazes de operar tanto em ambientes internos quanto externos.

Imagem de capa gerada por inteligência artificial.

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