Nem mísseis, nem caças de última geração: o bizarro "enxame de drones" que vai dominar as guerras do futuro e o Brasil já tem nas mãos

Tecnologia inspirada na natureza permite que dezenas de drones atuem juntos já está em desenvolvimento no Brasil

Drones
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Pequenos drones já são responsáveis por grande parte das baixas em conflitos recentes, como a guerra entre Ucrânia e Rússia. Enquanto isso, o próximo passo dessa tecnologia vem sendo desenvolvida, inclusive no Brasil. Nos testes e projetos dos "exames de drones", dezenas ou até centenas de voadores atuam juntos de forma autônoma para atingir alvos com mais precisão e força. 

Drones já dominam o campo de batalha moderno

Os drones deixaram de ser apenas ferramentas de vigilância e passaram a ter um papel central nos conflitos modernos. Na guerra entre Ucrânia e Rússia, por exemplo, pequenos drones já são responsáveis por grande parte das baixas.

Em conflitos recentes, o Irã também utilizou milhares de drones em ataques contra cidades, aeroportos e instalações petrolíferas no Oriente Médio.

Apesar da eficiência, esses equipamentos exigem grande mão de obra. Em alguns casos, até seis pessoas são necessárias para operar um único drone. 

No caso dos “enxames”, um único operador poderia controlar vários drones ao mesmo tempo, enquanto os próprios dispositivos se comunicariam entre si para atingir objetivos comuns.

Tecnologia é inspirada em pássaros e cardumes

O conceito de enxame vem da natureza. Bandos de pássaros, cardumes de peixes e colônias de insetos conseguem se movimentar de forma coordenada sem um líder, seguindo apenas regras simples de comportamento coletivo.

Aplicado ao contexto militar, isso significa que dezenas — ou até centenas — de drones poderiam trabalhar juntos, compartilhando informações e reagindo rapidamente às mudanças no campo de batalha.

Alguns sistemas já estão em desenvolvimento. A Ucrânia, por exemplo, anunciou que diversas empresas locais trabalham em projetos desse tipo. Entre elas está a Sine Engineering, que criou o sistema Pasika, capaz de coordenar drones para encontrar alvos de forma autônoma.

Outras empresas, como a Swarmer, já testaram pequenos enxames com drones de reconhecimento e ataque controlados por apenas um operador. Há ainda projetos mais avançados, como os da Fourth Law, que utilizam inteligência artificial para permitir que drones tomem decisões praticamente sozinhos.

Enxames podem mudar o rumo das guerras

Especialistas acreditam que esses sistemas podem alterar completamente as estratégias militares. Em vez de equipamentos caros e complexos, exércitos poderiam usar grandes quantidades de drones relativamente baratos para sobrecarregar defesas inimigas.

A revista The Economist destaca que enxames com dezenas ou até centenas de drones podem se tornar realidade nos próximos anos. Em alguns ataques recentes, já foram observadas operações com centenas de drones atuando simultaneamente.

Esse tipo de tecnologia permite concentrar poder de fogo rapidamente, dificultar a defesa e aumentar a eficiência das operações.

Brasil também desenvolve seu próprio enxame

Enquanto isso, o Exército Brasileiro também trabalha em um projeto nacional de enxame de drones. A iniciativa foi apresentada no dia 5 de março e faz parte de um programa de modernização militar.

O projeto, chamado Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres (EVAAT-GCN), é conduzido pelo Instituto Militar de Engenharia e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.

A proposta é desenvolver drones que operem de forma colaborativa, compartilhando dados em tempo real e tomando decisões sem depender de um controle centralizado. 

Embora o foco principal seja militar, a tecnologia também pode ter aplicações em outras áreas, como monitoramento de fronteiras, operações de busca e resgate, vigilância ambiental e resposta a desastres naturais.

O projeto começou há cerca de um ano e já está em estágio avançado. As próximas fases incluem a integração de realidade virtual e aumentada, além da ampliação do número de drones operando simultaneamente.

Projeto envolve universidades e centros de pesquisa

O desenvolvimento conta com financiamento da FINEP e envolve instituições como a Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e o Laboratório Nacional de Computação Científica.

A expectativa é que o projeto seja concluído ainda este ano e, no futuro, os sistemas possam ser produzidos pela indústria nacional.

Foto de capa: Shutterstock

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