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Agora sabemos a partir de que idade os efeitos dos celulares na saúde mental das crianças mudam radicalmente: aos 16 anos

O uso de redes sociais por adolescentes em tenra idade pode representar um problema sério

Imagens | Johnny Cohen
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Fabrício Mainenti

Redator

Atualmente, vivenciamos um grande debate em torno do Instagram, TikTok e outras plataformas de mídia social, questionando se elas realmente têm um impacto negativo sobre nossas crianças, com diversos governos, incluindo o da Espanha, promovendo a possibilidade de bani-las. Agora, um novo estudo longitudinal lançou luz sobre o verdadeiro impacto do uso das mídias sociais na saúde mental, apontando para um cenário muito mais complexo do que imaginávamos.

O estudo

Uma equipe da Universidade Miguel Hernández decidiu se concentrar justamente nas mídias sociais em um momento em que as pesquisas pintam um quadro bastante preocupante. Mas, neste caso, optaram por enfatizar as nuances que realmente importam: idade, gênero e estado de saúde mental antes de entrar no mundo das mídias sociais. E suas conclusões desafiam a visão tradicional.

Não se trata de quanto, mas de como

Até recentemente, a maneira mais comum de medir o perigo era o "tempo de tela". Assim, diversas revisões indicavam que passar mais horas em frente a um celular equivalia a ter um bem-estar pior. Mas a pesquisa da UMH vai além e se concentra em como as mídias sociais interferem na vida diária, no sono e nos relacionamentos pessoais.

Aqui, a descoberta mais surpreendente para a equipe de pesquisa foi que o impacto desse uso problemático sobre os sintomas depressivos tem um limiar muito claro: 16 anos.

Mas esse efeito diminui

Embora os pesquisadores tenham observado que o aumento dos sintomas depressivos é muito mais acentuado em menores de 16 anos, eles também constataram que, por volta dessa idade, o efeito começa a diminuir. O motivo que define os 16 anos como um verdadeiro limiar é justamente a maior capacidade de autorregulação emocional e cognitiva que os adolescentes possuem à medida que amadurecem gradualmente.

Dessa forma, os jovens a partir dos 16 anos tornam-se menos vulneráveis ​​aos impactos negativos do ambiente digital, algo que outros estudos externos já apontaram, alertando que o início da pré-adolescência é o verdadeiro período crítico de exposição às redes sociais, pois são mais sensíveis nessa idade.

Uma diferença de gênero

Outro ponto preocupante destacado pela ciência é como a popularidade digital afeta os adolescentes, dependendo do sexo. Atualmente, vivemos na era dos seguidores, em que as pessoas fazem de tudo para que suas contas ganhem cada vez mais seguidores. Embora possa parecer que ter mais seguidores seja um reforço positivo para qualquer adolescente, os dados mostram o contrário.

Pesquisadores apontam que ter um número maior de seguidores está associado a um maior número de sintomas depressivos, especialmente em meninas. Os motivos residem na pressão para manter uma imagem perfeita, no medo de ser analisada nos mínimos detalhes e, claro, na ciber-vitimização. Essa combinação de fatores age como um coquetel tóxico para a saúde mental.

Em meninos

Ter muitos seguidores tem um efeito neutro ou até mesmo um tanto protetor, funcionando como um fator de status dentro de um grupo de amigos, por exemplo. Ou seja, o oposto do que acontece com as meninas, evidenciando uma disparidade de gênero que também foi investigada por outros estudos independentes, os quais já alertaram que a saúde mental de menores é muito mais suscetível à dinâmica de validação online.

Vulnerabilidade pré-existente

As redes sociais causam depressão ou os adolescentes já eram deprimidos? Essa é a pergunta que podemos nos fazer ao abordar essa questão complexa, e a ciência sugere que os adolescentes que já apresentavam alguma vulnerabilidade pré-existente antes de usar as redes sociais são os mais suscetíveis. Assim, se um jovem já apresenta sintomas depressivos, seu quadro se agravará significativamente caso desenvolva um uso problemático das redes sociais.

Nesses casos, a tela se torna um verdadeiro refúgio que acaba piorando a situação original, expondo-os a um grande número de pessoas ou ao consumo de conteúdo negativo.

O que devemos fazer?

A principal conclusão que podemos tirar é que devemos proteger os pré-adolescentes, pois são os mais vulneráveis, e também priorizar as meninas, já que sofrem uma pressão muito maior para se adequarem aos padrões de beleza e buscarem validação. É aqui que os governos entram em cena, com regulamentações já sendo consideradas para evitar que esses jovens mais vulneráveis ​​sejam expostos a algo que pode ser tão prejudicial.

Imagens | Johnny Cohen

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