Investiu 28 milhões, agora tem 2,1 bilhões — como o “magnata do ouro” enriqueceu apostando em uma mina que nem sequer funciona

A jazida de ouro e prata está rendendo ao investidor ganhos sem precedentes

Eric Sprott / Imagem: Palisades Gold Radio e Leonie Clough
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O canadense Eric Sprott multiplicou em 8 vezes seu investimento na Hycroft Mining graças ao boom dos metais preciosos. Sua participação agora vale mais de 2,1 bilhões de dólares, apesar de a mina estar sem operar há anos.

Sprott é um investidor veterano comumente reconhecido como o “magnata do ouro”. Em 2022, ele investiu 28 milhões de dólares na Hycroft Mining. Hoje, sua participação supera os 2,1 bilhões de dólares, tendo alcançado uma rentabilidade de 746%. As ações da companhia dispararam mais de 425% nos últimos dois meses e acumulam uma alta superior a 1.500% desde que o magnata começou a ampliar sua posição no ano passado.

Uma mina que não minera

A Hycroft possui uma jazida a céu aberto no norte de Nevada (EUA) que está em operação desde os anos 1980, mas a empresa não extrai ouro desde 2021. Em vez disso, ela reprocessa minério previamente extraído que permanece na superfície. A maior parte de suas reservas está no subsolo e a empresa não tem um plano definido para retomar as operações de mineração. De fato, a mina não gera receitas desde 2022, quando faturou apenas 33 milhões de dólares, segundo dados da Bloomberg.

A Hycroft funciona como se fosse “um enorme ETF subterrâneo”, como definiu Brian Quast, analista de metais preciosos do Bank of Montreal. Os preços do ouro e da prata atingiram máximas históricas no último ano e os investidores buscam qualquer forma de se expor a esse rali. Embora a mina não esteja operando, suas reservas ganham valor a cada alta das cotações. Sprott defende há décadas o investimento em ouro e prata, e essa aposta o colocou entre os poucos bilionários que souberam capitalizar o atual boom.

Da quase falência ao estrelato na bolsa. Como conta a Bloomberg, o investimento inicial de Sprott chegou quando a Hycroft beirava a insolvência. Junto com a AMC Entertainment, que estava com excesso de liquidez após o fenômeno das ações meme, o canadense acabou salvando a empresa de seus credores com esse investimento.

O anúncio fez as ações dispararem quase 100% no pré-mercado, embora o entusiasmo não tenha durado muito, pois, no fim de 2022, o valor já havia caído para menos da metade do preço de entrada. Sprott vendeu um quinto de sua posição, quase não recuperando o que havia investido. Durante três anos, sua aposta permaneceu estagnada, pois o preço do ouro subia sem que as ações acompanhassem.

Em busca de resultados

No ano passado, Sprott mudou de estratégia. Entre junho e janeiro, ele investiu 187 milhões de dólares adicionais para quase dobrar sua participação, até superar 40% do capital da Hycroft. “Estou fazendo todo o possível para ampliar minha posição ao máximo”, declarou em outubro a Tony Denaro, criador de conteúdo dedicado às finanças. Sua manobra coincidiu com novos resultados nas perfurações, que identificaram jazidas de prata de qualidade maior do que a esperada e áreas com potencial de expansão.

O outro grande investidor, que entrou na onda junto com Sprott em 2022, era a rede de cinemas AMC, mas sua busca não obteve a mesma sorte. Em dezembro, quando suas ações da Hycroft finalmente ficaram no positivo após anos de prejuízos, a AMC vendeu 80% de sua participação para Sprott por 24 milhões de dólares. Adam Aron, CEO da AMC, justificou a operação afirmando que era “o momento adequado para monetizar e realocar o capital” para seu negócio principal. Dois meses depois, esse pacote de ações vale 172 milhões de dólares.

A fortuna do ouro

Apesar de os metais preciosos estarem em alta, poucas grandes fortunas souberam aproveitar o crescimento. Segundo o Relatório Global de Family Offices 2025 do UBS, esse tipo de estrutura patrimonial destina, em média, apenas 2% a metais preciosos. Apenas alguns investidores como Sprott e o honconguês Cheah Cheng Hye apostaram forte, como reporta a Bloomberg.

Para Sprott, o histórico irregular da Hycroft é justamente seu maior atrativo, pois, à medida que os preços do ouro e da prata sobem, aumenta também a probabilidade de que o reprocessamento se torne cada vez mais rentável, abrindo mais possibilidades de monetizar as reservas subterrâneas. “Não é possível encontrar uma recompensa mais alavancada e significativa”, contou o investidor na entrevista com Denaro.

Imagem | Palisades Gold Radio e Leonie Clough

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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