Ensino técnico explode na China: cada vez mais estudantes da Geração Z preferem os ofícios aos diplomas universitários

A maior oferta de empregos e a entrada mais rápida no mercado são os fatores que fazem a diferença

Geração Z na China / Imagem: Green Liu e TruckRun
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Há 40 anos, a China decidiu investir em formar milhões de engenheiros, que acabaram se tornando seu ás na manga na corrida da IA. De fato, é o país com o maior número de formados em STEM  (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) do mundo e, enquanto aumenta sua aposta em doutorados, tanto o governo do gigante asiático quanto a Geração Z começaram a olhar com outros olhos para a formação profissional.

O Ministério da Educação da China informou em novembro de 2024 que, em 2025, haveria um número histórico de formados: 12,22 milhões, como registra o jornal oficial do Comitê Central do Partido Comunista da China.

Com esse panorama, a concorrência é feroz, ainda mais considerando que os EUA dificultaram o visto para quem decide migrar. O Ministério da Educação chinês está oferecendo diferentes medidas e sistemas de apoio na forma de eventos de recrutamento em regiões e indústrias-chave para aliviar o desemprego entre estudantes universitários. Não parece suficiente.

As empresas estão mudando suas necessidades: os dados oficiais mostram que a demanda por pessoas com diploma universitário caiu de 20,3% para 17,4% no ano passado. No entanto, a demanda por quem concluiu a formação profissional subiu de 8,5% para 11%. Essa graduação técnica está tão valorizada que o segmento foi o que teve a maior taxa de ofertas de emprego em 2024.

Já virou problema do governo

Não é apenas uma questão de mercado de trabalho, mas também uma diretriz que aponta para uma “Nação Educativa Forte”. Esse é o objetivo do novo plano estatal de educação (2024–2035): a China prioriza a formação profissional como prioridade de Estado, comprometendo-se com medidas concretas como mais financiamento, melhorias nas instalações e o desenvolvimento de um sistema de habilidades modernas.

Em poucas palavras, a formação profissional passa a ter a mesma importância que a acadêmica para sustentar a autossuficiência tecnológica. Como já aconteceu na Europa, a China também está deixando de estigmatizar a formação profissional como uma alternativa para estudantes com menos recursos ou piores notas.

A Sixth Tone reuniu os depoimentos de vários jovens e suas experiências, como a de Ke Chenxi, que obteve uma pontuação alta o suficiente no gaokao (algo como o ENEM) para ir à universidade, mas optou por se matricular em uma escola vocacional. Sim, as circunstâncias econômicas e familiares foram parte da razão, mas também o fato de que o programa do Instituto Vocacional de Wuhan oferecia cursos de educação infantil mais curtos, práticas intensivas e uma entrada mais rápida no mercado de trabalho.

O professor associado da Universidade Fudan, de Xangai, Gao Shanchuan, fala diretamente do “efeito renda”, isto é, da crença de que, por ir à universidade, você terá um salário mais alto: “O que está mudando é que os jovens estão começando a avaliar a educação de forma mais pragmática. Se a formação profissional leva a empregos estáveis e a rendimentos razoáveis, seu prestígio social vai melhorar com o tempo”.

Zhuo Ping é professora do colégio de Ke e tem claro que, embora a formação profissional não vá substituir as universidades, ela incentiva os estudantes a escolher de acordo com suas aptidões, e não apenas com o prestígio: “Passamos de nos concentrar apenas em credenciais para reconhecer de forma mais substancial a capacidade”.

Wuhan é o epicentro da mudança. A cidade chinesa é um verdadeiro polo de ensino superior, com mais de 80 universidades e um forte peso dos cursos técnicos. Mas é também onde a formação profissional está despontando: quem obtém seu diploma em ofícios já encontra trabalho tão rápido quanto seus equivalentes universitários, com uma taxa de inserção no mercado de trabalho superior a 98% em algumas instituições. E fazem isso entrando no mercado mais rapidamente e com mais experiência.

O fato de os centros de FP de Wuhan trabalharem em estreita colaboração com as empresas locais para desenhar a formação de acordo com as necessidades da indústria, e não segundo trajetórias rígidas e teóricas, certamente ajuda. De fato, a Sixth Tone reúne as declarações de uma supervisora de recursos humanos que vivencia essa realidade na prática, destacando o bom desempenho, a adaptação e a destreza desses profissionais, embora ainda haja pontos a melhorar, como o trabalho em equipe.

Imagem | Green Liu e TruckRun

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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